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Divulgação - Secom Goiânia
Sem fiscalização eletrônica, número de mortes no trânsito cresce em Goiânia; estudo aponta aumento de óbitos nas ruas da capital após retirada de radares e lombadas eletrônicas
Sem fiscalização eletrônica, número de mortes no trânsito cresce em Goiânia
15/03/2025, às 09:44 · Por Redação
A retirada da fiscalização eletrônica em Goiânia, ocorrida em junho de 2024, teve um impacto direto na segurança do trânsito da capital. Dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO) mostram que, apesar de uma leve redução no número total de ocorrências, o número de mortes aumentou nos últimos nove meses, comparado ao período anterior, quando os radares ainda estavam em funcionamento.
Conforme levantamento do jornal O Popular, entre setembro de 2023 e maio de 2024, com os equipamentos ativos, 183 pessoas perderam a vida em acidentes na cidade, uma média de um óbito a cada 36 horas. Já entre junho de 2024 e fevereiro de 2025, sem fiscalização eletrônica, o número subiu para 193 mortes, elevando a média para um óbito a cada 34 horas, o que representa um crescimento de 5,5%.
Embora o total de acidentes tenha registrado uma leve queda de 0,7%, especialistas apontam que a ausência de radares pode ter influenciado diretamente no aumento da gravidade dos casos. "As estatísticas de acidentes devem ser analisadas com muito cuidado", pondera o professor de Engenharia de Trânsito do Instituto Federal de Goiás (IFG), Marcos Rothen, em entrevista ao jornal O Popular. Ele explica que variações podem ocorrer devido a diferentes fatores, como feriados prolongados e acidentes com múltiplas vítimas.
A correlação entre a retirada dos radares e o aumento das fatalidades ainda requer mais estudos, conforme destaca o especialista em gestão de trânsito e membro do Fórum de Mobilidade Mova-Se, Jean Damas. "Tudo é muito empírico. É preciso analisar o que aconteceu em cada ponto onde havia fiscalização, se houve mais acidentes ou se ficaram mais graves", afirma.
No entanto, tanto Damas quanto Rothen ressaltam que a fiscalização eletrônica desempenha um papel essencial na redução da velocidade e na prevenção de infrações perigosas, como o avanço de sinal. "A maior velocidade e o desrespeito às regras tendem a aumentar o risco e a gravidade dos acidentes", destaca Rothen.
A Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET) reforça essa visão, afirmando que a ausência de radares incentiva comportamentos imprudentes, como excesso de velocidade e avanço de sinal. "Infelizmente, sem fiscalização, muitos condutores se sentem mais à vontade para desrespeitar as regras de trânsito", diz a pasta.
Após sucessivas tentativas de licitação barradas pelo Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO), a Prefeitura de Goiânia contratou um novo sistema de fiscalização eletrônica. A licitação, realizada em 2024, prevê um investimento de R$ 242,8 milhões em cinco anos para a instalação e operação dos equipamentos.
Desde janeiro deste ano, os novos radares estão sendo implantados na cidade, com 51 locais já definidos para receber os dispositivos em março. A previsão é de que todos os equipamentos estejam em funcionamento até meados de 2025. No entanto, a aplicação de multas só deve começar em abril, após a conclusão da instalação da Central de Controle Operacional (CCO), que custará R$ 32,3 milhões e ficará responsável pelo processamento das infrações.
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