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Comissão rejeitou autodeclaração de Richard Aires de Sousa, alegando que ele não possui características fenotípicas de pardo
Estudante aprovado por cotas é barrado por banca da UFG
16/03/2025, às 15:54 · Por Redação
O estudante Richard Aires de Sousa, de 19 anos, aprovado para o curso de Biotecnologia da Universidade Federal de Goiás (UFG) por meio do sistema de cotas, teve sua autodeclaração de pardo indeferida pela banca de heteroidentificação da instituição. Segundo ele, a justificativa apresentada foi de que sua pele é clara e seu cabelo, liso.
"Eu não sou claro o suficiente para ser considerado branco e nem preto o suficiente para ser considerado negro. Então, fico nesse meio-termo. Acredito que foi uma decisão errônea. Fico triste, porque não fui reprovado por nota, mas por causa da cor que aleguei ter", lamentou Richard em entrevista ao jornal O Popular.
O presidente da Comissão de Heteroidentificação da UFG, Pedro Cruz, defendeu que a decisão foi tomada após uma análise rigorosa por especialistas qualificados.
Aprovado no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), Richard passou pela banca no dia 26 de fevereiro. Durante a avaliação, gravou um vídeo reafirmando sua autodeclaração. Após horas de espera, recebeu a resposta de que seu pedido havia sido negado. No dia seguinte, entrou com recurso, mas a negativa foi mantida com as mesmas justificativas.
“Eles disseram que eu não tenho características de um afrodescendente, mas eu tenho nariz largo e boca mais volumosa. Eles não perceberam isso. Então, não sou pardo o suficiente para conseguir a vaga?", questionou o estudante.
A mãe de Richard, Lilia Rosa de Sousa, que acompanhou o filho no momento da divulgação do resultado, disse ter notado um clima diferente entre os avaliadores.
“Uma moça disse que o pedido dele tinha sido indeferido porque a pele dele era clara e o cabelo liso. A única reação que eu tive na hora foi de perguntar pra ela: 'Se ele não era pardo, qual era a cor dele?' Na hora, ela não teve resposta. Ela ficou sem jeito, sem graça e disse que não era culpa dela. Eu fiquei chateada pelo meu filho ao ver o sonho dele se desmanchando", contou Lilia.
Critérios
O sistema de cotas nas universidades federais exige que o candidato se declare negro, pardo, indígena ou quilombola, além de ter estudado em escola pública. No caso de candidatos brancos, é necessário comprovar renda familiar de até um salário mínimo por pessoa.
Pedro Cruz explicou que a comissão não invalida a autodeclaração do candidato, mas verifica se ele apresenta traços fenotípicos compatíveis com a categoria escolhida. "O que a comissão faz é verificar se aquele candidato que se autodeclarou possui esses traços fenotípicos desta população que ele se autodeclarou", afirmou Cruz.
Segundo ele, a banca é composta por cinco membros, levando em conta diversidade de gênero, cor, raça e, quando possível, regionalidade. Em casos de recurso, uma nova comissão, formada por avaliadores diferentes, revisa a decisão com base no vídeo gravado durante a primeira análise. "Isso garante a lisura do processo e protege os direitos dos candidatos", destacou o presidente da comissão.
Aprovação UFG Biotecnologia Cotas Goiás,