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Goiânia, 04/04/25
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Prefeitura pode estender prazo para retirada de camelôs da Região da 44; realocação estava prevista para março, mas secretário admite possibilidade de prorrogação

Prefeitura pode estender prazo para retirada de camelôs da Região da 44

18/03/2025, às 10:39 · Por Redação

A retirada dos ambulantes da Região da 44, inicialmente prevista para ser concluída até 30 de março, pode ser adiada. A Prefeitura de Goiânia sinalizou que, caso necessário, o prazo será estendido para garantir uma transição mais organizada. A medida gerou debates entre a administração municipal e representantes da categoria, que pedem alternativas para continuar trabalhando nas ruas, como horários flexíveis durante a madrugada e à noite. As informações são do jornal O Popular.

O impasse motivou uma audiência pública na Câmara Municipal nesta segunda-feira, 17, onde a Associação dos Camelôs reiterou sua oposição às opções propostas pelo município. A Prefeitura sugere que os ambulantes sejam realocados para galerias comerciais, por meio de um programa de aluguel social, ou para a Feira Hippie. No entanto, os trabalhadores afirmam que essas soluções não são viáveis financeiramente e não atendem às suas necessidades.

O vereador Heyler Leão (PP), autor do requerimento para a audiência pública, defendeu um diálogo mais amplo sobre o tema. Durante o encontro, que contou com representantes da Prefeitura, Guarda Civil Metropolitana, Polícia Militar e comerciantes de rua, foi anunciada a criação de uma comissão temporária para buscar soluções para a realocação. A proposta será formalizada nesta terça-feira, 18.

O secretário municipal de Eficiência, Fernando Peternella, afirmou que a retirada dos ambulantes ocorrerá "com tranquilidade" e dentro do prazo estabelecido, mas não descartou uma prorrogação. "Se sentirem necessidade de prorrogar o prazo, vamos fazer. Estamos construindo isso. É a primeira reunião com todos vocês. Tenham calma, estamos abertos a ideias. O que não vai existir mais é a informalidade nas ruas", declarou.

Peternella também garantiu que a remoção dos ambulantes não será feita com uso da força policial. "Ninguém precisa ficar preocupado que não vai ter polícia, cachorro, spray de pimenta. Isso não vai existir. A gente não quer apreender, não quer brigar. Só vamos organizar, com calma, escutando vocês", reforçou.

Já o secretário executivo da Secretaria Municipal de Gestão de Negócios e Parcerias, José Silva Soares Neto, afirmou que o objetivo é encontrar uma "solução viável para todos". "Ninguém vai ficar descontente, ninguém vai tirar o direito de trabalhar. Pelo contrário. Ninguém vai fazer nada de forma arbitrária, não existe nenhuma determinação nesse sentido. A orientação é diálogo, chegar a um denominador comum", disse.

Apesar da sinalização de Peternella sobre uma possível prorrogação do prazo, a Prefeitura ainda não confirmou oficialmente se o adiamento ocorrerá. Questionada, a administração municipal informou que ainda não tomou uma decisão sobre o tema.

Camelôs
Durante a audiência, a presidente da Associação dos Camelôs, Ana Paula de Oliveira, defendeu que os trabalhadores permaneçam na rua, mas com horários alternativos. "Esse aluguel social, por exemplo, temos de pagar condomínio e tem gente que não tem condições para entrar numa loja. E na feira também não vamos aceitar, são só três dias, não é o suficiente, a gente trabalha de segunda a segunda", argumentou. Ela propôs que os ambulantes possam atuar entre 3h e 7h30 da manhã e retornem a partir das 17h, quando as lojas começam a fechar.

"Aqui na Região da 44, o tradicional é a madrugada. Tem cliente que vem só de madrugada aqui. Então não custa nada entrarem em acordo com a gente", sugeriu. Ana Paula também questionou os números apresentados pela Prefeitura sobre a quantidade de ambulantes na região. Segundo ela, a Associação dos Camelôs estima que cerca de 3 mil trabalhadores atuem no local, enquanto o Paço calcula cerca de 600. "Não há como realocar todo mundo do jeito que foi proposto", pontuou.


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