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Casal Karine Gouveia e Paulo César, além de mais de dez profissionais de saúde, foram indiciados por crimes como organização criminosa e exercício ilegal da medicina
Polícia Civil conclui investigação sobre influenciadores e donos de clínica de estética
26/03/2025, às 09:14 · Por Redação
A Polícia Civil finalizou a investigação contra os influenciadores Karine Gouveia e Paulo César, proprietários da clínica KGG Estética, suspeitos de comandar um esquema ilegal de procedimentos estéticos com grande risco à saúde. O inquérito, que apontou a clínica como uma suposta organização criminosa, foi encaminhado ao Poder Judiciário. Além do casal, mais de dez profissionais da área da saúde, incluindo dentistas e biomédicos, foram indiciados.
Entre os crimes atribuídos a Karine e Paulo estão organização criminosa, exercício ilegal da medicina, lesão corporal gravíssima, falsidade ideológica, fraude processual e estelionato. “As investigações comprovaram que a clínica KGG Estética apresentava uma estrutura aparentemente profissional, mas funcionava como uma verdadeira organização criminosa voltada à prática sistemática de crimes, com divisão de tarefas, hierarquia e finalidade econômica”, afirmou o delegado Daniel José de Oliveira.
As denúncias começaram em dezembro de 2024, quando pacientes relataram complicações graves após realizarem procedimentos na clínica. Segundo o delegado, há registro de 30 vítimas diretas, mas outras 100 pessoas serão ouvidas em um novo inquérito. “Estima-se que cerca de 6 mil pessoas tenham passado por procedimentos na clínica entre 2018 e 2019, e muitas podem estar com óleo de silicone ou PMMA no corpo, substâncias que oferecem alto risco e complicações sérias”, explicou.
O casal foi preso pela primeira vez em dezembro de 2024, durante operação policial que cumpriu mandados contra funcionários da clínica sem qualificação para os procedimentos. A defesa alegou que a clínica possuía todos os documentos necessários para funcionar e seguia as exigências da Vigilância Sanitária, mas a Polícia Civil desmentiu essa versão, apontando que o local tinha alvará apenas para procedimentos minimamente invasivos.
A investigação revelou, ainda, que materiais e produtos usados nos procedimentos eram inadequados. Mandados foram cumpridos também em Anápolis, onde havia uma filial da clínica. Durante a operação, foram bloqueados bens e valores dos investigados, totalizando R$ 2,5 milhões, além da apreensão de um helicóptero avaliado em R$ 8 milhões.
Em fevereiro deste ano, a ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Daniela Teixeira determinou a soltura do casal, alegando que a prisão era “desproporcional” e que outros investigados já haviam sido liberados. A defesa destacou que Karine e Paulo não representavam mais risco à investigação e que precisavam cuidar do filho de 7 anos, que havia sofrido um grave acidente de carro.
No entanto, pouco mais de um mês depois, no dia 12 de março, o casal foi preso preventivamente novamente. A nova prisão ocorreu devido às acusações de formação de organização criminosa, falsificação de produtos terapêuticos, lesões corporais gravíssimas, exercício ilegal da medicina e estelionato, entre outros crimes ligados à realização de procedimentos estéticos sem qualificação técnica ou autorização legal.
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