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Evaristo Sá - AFP
Ex-presidente Jair Bolsonaro fez declaração em evento religioso em 2021; quatro anos depois, responde a processo por tentativa de golpe
Bolsonaro afirmou em Goiânia que jamais aceitaria ser preso; agora, é réu no STF
27/03/2025, às 09:09 · Por Redação
Em agosto de 2021, durante um evento religioso em Goiânia, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que jamais aceitaria ser preso. A declaração foi feita no 1º Encontro Fraternal de Líderes Evangélicos do Estado de Goiás, realizado na Assembleia de Deus do Setor Campinas. Na ocasião, Bolsonaro disse que seu futuro teria apenas três possibilidades: “estar preso, ser morto ou a vitória”.
O evento, fechado para a imprensa, foi transmitido ao vivo pelas redes sociais do Planalto. Durante seu discurso, o ex-presidente fez críticas ao Judiciário, acusando ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de restringirem a liberdade de expressão. Ele também mencionou suspeitas de fraudes eleitorais e responsabilizou o isolamento social adotado na pandemia de Covid-19 pela crise econômica do país.
Quatro anos depois, Bolsonaro se tornou réu no STF, acusado de crimes contra a ordem democrática. A Primeira Turma da Corte aceitou a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) e abriu ação penal contra ele por tentativa de golpe de Estado e tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito.
A denúncia aponta que Bolsonaro tinha conhecimento do plano “Punhal Verde Amarelo”, que previa o assassinato do presidente Lula, do vice Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes. Ele também teria participado da elaboração da chamada “minuta do golpe”, que detalhava a ruptura institucional.
O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, destacou que há indícios suficientes para o andamento da ação penal e votou para que o ex-presidente responda também por organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Os ministros Flávio Dino e Luiz Fux acompanharam o voto, enquanto Cármen Lúcia e Cristiano Zanin ainda devem se manifestar.
Além de Bolsonaro, outros sete aliados foram transformados em réus, incluindo os ex-ministros Walter Braga Netto, Augusto Heleno e Anderson Torres. Moraes ressaltou que a decisão não implica culpa, mas permite a continuidade das investigações e do processo judicial.
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