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DivulgaçãoO conflito judicial entre João de Deus e a prefeitura de Anápolis já dura vários anos
Médium João de Deus consegue manter mansão de R$ 1 milhão que seria demolida
28/03/2025, às 11:19 · Por Redação
João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, obteve sucesso em adiar a demolição de uma de suas propriedades localizadas em Anápolis, Goiás. A mansão, avaliada em mais de R$ 1 milhão, possui três andares e conta com vigilância 24 horas. Embora registrada em nome de João de Deus, a residência é ocupada pela sua ex-companheira e está protegida por cercas que dificultam a visão de quem passa pela região.
O conflito judicial entre João de Deus e a prefeitura de
Anápolis já dura vários anos. O município acusa o médium de ter construído a
mansão sem as licenças e alvarás necessários, o que levou à solicitação para
que o imóvel fosse demolido, com base em alegações de riscos estruturais. Em
2024, a Justiça determinou a desocupação imediata do local e sua destruição,
mas a defesa de João de Deus contestou essa decisão.
Através da apresentação de documentos que comprovam a
regularização do imóvel em 2022, além de ajustes realizados entre o final de
2023 e início de 2024, o médium conseguiu reverter a decisão. O juiz
responsável, Gabriel Lisboa Silva, acatou o pedido da defesa, considerando que
a propriedade está agora devidamente regularizada. O caso ainda está pendente
de um julgamento final, mas as chances de João de Deus obter uma vitória são
grandes, uma vez que não há mais registros de irregularidades.
Esse episódio jurídico ocorre no contexto de uma série de
condenações pesadas a João de Deus. O médium, que foi condenado a mais de 450
anos de prisão por crimes de abuso sexual e estupro contra 66 vítimas, cumpre
prisão domiciliar desde setembro de 2021.
Além dessas condenações, outras 120 denúncias de abusos
foram registradas, mas arquivadas devido à prescrição ou falta de provas. No
regime de prisão domiciliar, ele está impedido de sair de sua residência, que
fica em Anápolis, onde mora com sua advogada, Lara Cristina Capatto.
Apesar das restrições impostas pela Justiça, João de Deus
segue administrando alguns de seus negócios. Em janeiro deste ano, uma
reportagem revelou que o médium continua atuando no ramo espiritual, sendo
responsável pela fabricação e comercialização de mesas de cristal. Estes
objetos, que prometem promover cura, são vendidos por valores elevados,
chegando a mais de R$ 15 mil, e são especialmente comercializados para clientes
estrangeiros. A defesa de João de Deus não foi localizada para comentar sobre o
assunto.
O caso da mansão e a situação de João de Deus continuam a
atrair atenção, com o desfecho do processo judicial envolvendo o imóvel ainda
aguardado. A complexidade da situação legal do médium, somada à sua atuação nos
negócios espirituais, gera questionamentos sobre sua real condição e sobre os
desdobramentos que essa história ainda pode ter.
Relembre o caso
João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, foi
preso em 2018 após ser acusado de abusos sexuais durante atendimentos
espirituais na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia (GO). Durante anos, ele
atuou como curandeiro, atraindo milhares de pessoas em busca de cura
espiritual. No entanto, entre 2010 e 2017, dezenas de mulheres denunciaram o
médium por estupro, estupro de vulnerabilidade e violação sexual, crimes
cometidos sob a alegação de que ele usava sua posição de poder para abusar das
vítimas.
Em setembro de 2023, João de Deus recebeu mais uma
condenação, totalizando 489 anos e 4 meses de prisão. Além disso, a sentença
determinou o pagamento de até R$ 100 mil em danos morais às vítimas. Até o
momento, 66 mulheres denunciaram o médium, resultando em 56 condenações.
Após ser preso, João de Deus cumpriu parte da pena em regime
fechado, mas, devido ao seu estado de saúde, foi transferido para prisão
domiciliar em setembro de 2021. Atualmente, ele cumpre sua pena em Anápolis (GO),
monitorado por tornozeleira eletrônica.
O caso de João de Deus é um dos mais emblemáticos no Brasil,
mostrando como a confiança e a fé de milhares de pessoas foram exploradas para
cometer abusos, deixando um legado de dor e sofrimento para as vítimas.
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