Poder Goiás
Goiânia, 04/04/25
Matérias
Foto: Instagram do prefeito

Número de seguidores não é consistência política. Engajamento não é programa de governo. Chuva de likes não é competência administrativa

Coluna do Pablo Kossa: Limite do esdrúxulo não existe mais na política

02/04/2025, às 14:03 · Por Pablo Kossa

Rodrigo Manga.

Só com o nome, você provavelmente não identifica o personagem. Poderia chutar um jogador de futebol que chega para reforçar um clube goiano na Série B. Talvez um novo podcaster. Agora, se eu disser “prefeito tiktoker de Sorocaba”, a chance de você conseguir enxergar de quem estou falando aumenta demais.

Bombado nas redes sociais, o político filiado ao Republicanos anunciou que vai disputar a presidência da República. Bom, é direito de todo brasileiro no pleno gozo de seus direitos políticos postular o cargo. Daí pra frente, tudo fica mais complicado e revelador dos tempos que vivemos.

Sorocaba é uma cidade relevante do interior paulista com mais de 700 mil habitantes. Ele já foi vereador duas vezes da cidade e é prefeito em segundo mandato. Claro que se revela alguém com futuro político promissor. Tentar a eleição para deputado federal seria o caminho óbvio. Ganhando cancha em Brasília com um ou dois mandatos, tentar o Senado ou o governo de seu Estado. Aí seria inconteste o estofo construído para almejar o Palácio do Planalto. Antes disso é precipitação. Queimar etapas. Na política existe fila e furá-la nunca é bom.

O que não falta é legenda irrelevante pronta para aceitar um aventureiro. Partidinhos que topam qualquer coisa no sonho da sorte grande. O problema é alguém que pode sim construir algo sólido encarar o salto no vazio. E vacilo ainda maior do eleitor que endossa uma interrogação por que achou divertido um vídeo de TikTok.

Número de seguidores não é consistência política. Engajamento não é programa de governo. Chuva de likes não é competência administrativa.

Em tempos normais, ele seria só mais que garantiria risadas durante a disputa e cairia no esquecimento logo após apuradas as urnas no primeiro turno.

Mas depois da eleição de Jair Bolsonaro em 2018 e da performance surpreendente de Pablo Marçal em São Paulo no ano passado, não dá para afirmar mais nada. Sucesso nas redes sociais pode se transformar em voto de disputas majoritárias.

Presidência é coisa séria para ser entregue a quem tem como grande ativo político a rede social com forte engajamento. Sei que isso é óbvio, mas, como já disse, os tempos de hoje impelem que todos reiteremos obviedades.


Pablo Kossa Coluna Prefeito Eleições 2026 Sorocaba Rodrigo Manga