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Foto: Instagram do prefeitoNúmero de seguidores não é consistência política. Engajamento não é programa de governo. Chuva de likes não é competência administrativa
Coluna do Pablo Kossa: Limite do esdrúxulo não existe mais na política
02/04/2025, às 14:03 · Por Pablo Kossa
Rodrigo Manga.
Só com o nome, você provavelmente não identifica o
personagem. Poderia chutar um jogador de futebol que chega para reforçar um
clube goiano na Série B. Talvez um novo podcaster. Agora, se eu disser
“prefeito tiktoker de Sorocaba”, a chance de você conseguir enxergar de quem
estou falando aumenta demais.
Bombado nas redes sociais, o político filiado ao
Republicanos anunciou que vai disputar a presidência da República. Bom, é
direito de todo brasileiro no pleno gozo de seus direitos políticos postular o
cargo. Daí pra frente, tudo fica mais complicado e revelador dos tempos que
vivemos.
Sorocaba é uma cidade relevante do interior paulista com
mais de 700 mil habitantes. Ele já foi vereador duas vezes da cidade e é
prefeito em segundo mandato. Claro que se revela alguém com futuro político
promissor. Tentar a eleição para deputado federal seria o caminho óbvio.
Ganhando cancha em Brasília com um ou dois mandatos, tentar o Senado ou o
governo de seu Estado. Aí seria inconteste o estofo construído para almejar o
Palácio do Planalto. Antes disso é precipitação. Queimar etapas. Na política
existe fila e furá-la nunca é bom.
O que não falta é legenda irrelevante pronta para aceitar um
aventureiro. Partidinhos que topam qualquer coisa no sonho da sorte grande. O
problema é alguém que pode sim construir algo sólido encarar o salto no vazio.
E vacilo ainda maior do eleitor que endossa uma interrogação por que achou
divertido um vídeo de TikTok.
Número de seguidores não é consistência política.
Engajamento não é programa de governo. Chuva de likes não é competência
administrativa.
Em tempos normais, ele seria só mais que garantiria risadas
durante a disputa e cairia no esquecimento logo após apuradas as urnas no
primeiro turno.
Mas depois da eleição de Jair Bolsonaro em 2018 e da
performance surpreendente de Pablo Marçal em São Paulo no ano passado, não dá para
afirmar mais nada. Sucesso nas redes sociais pode se transformar em voto de
disputas majoritárias.
Presidência é coisa séria para ser entregue a quem tem como
grande ativo político a rede social com forte engajamento. Sei que isso é
óbvio, mas, como já disse, os tempos de hoje impelem que todos reiteremos
obviedades.
Pablo Kossa Coluna Prefeito Eleições 2026 Sorocaba Rodrigo Manga