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Carlos Elias, abriu a sua própria galeria também para divulgar o trabalho de novos artistas da cidade
Carlos Elias, ex-juiz de Goiás e Napoleão Pimentel expõem quadros em galeria de Goiânia
03/04/2025, às 10:00 · Por Redação
A abertura da exposição Percursos da Criação, de Carlos Elias, artista visual formado pela Faculdades de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás (FAV/UFG), e do artista convidado Napoleão Pimentel, autodidata, é atração da Galeria Carlos Elias De L’Art Café, nesta quinta-feira, 3, às 19h. O evento gratuito comemora cinco meses da abertura do novo espaço cultural goianiense, localizado na avenida T-63, com T-4, no Setor Bueno, em Goiânia.
O novo espaço, segundo organizadores da exposição, une a arte em suas várias linguagens e fazeres. Ele já sediou vernissages de pintura, workshop de ilustração e de crochê. No sábado, 5, a partir das 9h, a Cooperativa Bordana vai ministrar o workshop Café com Linhas e Histórias com ensinamentos de bordado e exposição de peças.
Celma Grace, filha de bordadeira que se inspirou na mãe para fundar a cooperativa em 2008, diz que pessoas de todas as gerações cada vez mais se interessam pela arte do bordado. Segundo ela, a atividade da cooperativa, que surgiu para melhorar a condição de vida das cooperadas e a comercialização de suas peças, hoje também tem sido uma ferramenta de promoção de bem-estar e de saúde mental.
A Carlos Elias Galeria é aberta a novos talentos e tem obras de artistas renomados em seu acervo, tais como gravuras de DJ Oliveira e Poteiro, além de telas de nome como Siron Franco, de Waldomiro de Deus e de Omar Souto.
Nos moldes dos estúdios parisienses, onde o pintor exerce seu ofício e recebe clientes para um cafezinho, Carlos Elias montou ainda uma cafeteria anexa à galeria, onde o conjunto exposto exala diversidade de estilos, atitude e liberdade artística. O ateliê no fundo da sala, um aquário de vidro, chama atenção dos visitantes que podem entrar e ter contato com tintas e pincéis.
“A ideia foi mesmo popularizar o acesso à arte. Não apenas pessoas como eu, que veio do interior, mas muita gente que nasceu em cidade grande ainda tem receio de entrar numa galeria para apreciar arte”, observa o artista, que quando criança já pintava formigas Saúvas e fazia pequenas esculturas de barro.
Carlos Elias, que abriu a sua própria galeria também para divulgar o trabalho de novos artistas da cidade, realizou o sonho de ser artista quando precisou se aposentar da função de juiz de Direito do TJ Goiás, após um infarto. Ele prestou vestibular na UFG e se formou em Artes Visuais. Sua galeria tem um acervo que reúne suas pinturas e ainda obras de veteranos como Siron Franco, Poteiro, Omar Souto, Valdomiro de Deus. |
No final de março, o Museu de Arte Moderna (MAM), museu do Ibirapuera que está fechado para reformas, recebeu doação de peso do modernista francês Raoul Duffy. Ele e Carlos Elias, têm muita coisa em comum como a exploração da liberdade das cores, traço dos pintores modernistas. Adepto das cores puras e vibrantes, traço dos fauvistas, Carlos Elias considera seu estilo modernista, “não sou contemporâneo, no máximo um pós-moderno”, diz bem-humorado, que se considera um pintor que bebe no legado de mestres do início do século como Matisse.
Napoleão Pimentel tem uma trajetória artística que retrata a dificuldade de viver de arte no Brasil. De 1998 a 2004 ele manteve sua própria galeria de arte na esquina das Avenidas 136 e 90, no Setor Sul. Depois do fechamento do espaço, sobreviveu no mercado brasiliense e integrou por 10 anos o grupo de artistas que comercializava suas obras na Feira da Torre, na capital federal. “Ao todo foram 25 anos fora de Goiânia. Pude retornar com o apoio de antigos clientes que recomendam minhas obras e da Galeria Carlos Elias, que valorizou meu trabalho”, observou.
Percursos da Criação
Rafael Machado Paiva, curador da galeria, foi colega de faculdade de Carlos Elias. Ele adianta que durante um mês – prazo de duração da mostra, – o público vai encontrar um conjunto de pinturas em óleo sobre tela, acrílica sobre tela e fruto de técnica mista e de texturas personalizadas. “A exposição reúne uma simbiose de formas, de cores e de texturas, de paisagens e de rostos, além de homenagens e incursões autorais por obras de ícones da pintura e da cultura pop”, destaca.
“Carlos Elias e Napoleão Pimentel transitam entre a figuração e a abstração, com processos criativos que ampliam possibilidades de construção e de desconstrução de suas poéticas visuais”, acrescenta Paiva. Para ele, ambos os artistas rompem com a monotonia compositiva, incitam sentimentos do expectador e dialogam com diferentes públicos sem perder suas características estilísticas.
Carlos Elias TJ-GO