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Governador tem sofrido críticas de parte do setor produtivo, mais notadamente do presidente da Fieg, Sandro Mabel
Prefeitos goianos terão autonomia para definir manutenção de isolamento social
16/04/2020, às 09:45 · Por Pedro Lopes
O novo decreto do governador Ronaldo Caiado (DEM) deve trazer a possibilidade de que prefeitos possam decidir sobre medidas de contenção ao novo coronavírus. A questão foi discutida ontem em videoconferência entre Caiado e os prefeitos das maiores cidades do Estado. Participaram da conversa os prefeitos de Goiânia, Iris Rezende (MDB); de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (MDB); de Anápolis, Roberto Naves (PP); de Rio Verde, Paulo do Vale (DEM); de Catalão, Adib Elias (Podemos); de Itumbiara, José Antônio (Republicanos); de Jataí, Vinícius Luz (PP); de Goianésia, Renato de Castro (MDB); e de Porangatu, Pedro Fernandes (PP). Outra reunião deve ser realizada com prefeitos do Entorno do Distrito Federal. O novo decreto, que será publicado no início da próxima semana, deve trazer a possibilidade de as cidades regularem o nível do isolamento, ao invés de o Estado determinar o que deve ou não abrir.
Desde a segunda quinzena de março, comércio, indústrias e outras atividades econômicas estão de portas fechadas em Goiás, embora algumas exceções tenham sido feitas nas últimas semanas. A avaliação de Caiado, segundo o apurado, é de que é necessário dividir o desgaste político que está tendo devido ao fechamento das atividades econômicas, fazendo com que os prefeitos também se responsabilizem pelas medidas de contenção da doença no Estado.
O governador tem sofrido críticas de parte do setor produtivo, mais notadamente do presidente da Fieg, Sandro Mabel, mas também de outros mandatários, como o senador Vanderlan Cardoso (PSD), e prefeitos que defendem a abertura do comércio, como o de Iporá, Naçoitan Leite (PSDB).Dessa forma, a intenção do governador é de que o decreto determine algumas coisas, mas deixe que os municípios cuidem dos pormenores. O texto deve trazer recomendações aos prefeitos, que vão escolher segui-las ou não. QUESTIONAMENTOS Segundo apurado pelo POPULAR, alguns prefeitos questionaram a decisão do governador de permitir flexibilizações pelos municípios, sobretudo porque as menores cidades não têm estrutura hospitalar, o que pode impactar as maiores.
Isso pode ocorrer em caso de aberturas excessivas em cidades menores provocarem aumento da contaminação de seus moradores, que teriam de recorrer aos maiores municípios, que têm melhor estrutura de Saúde, ou à capital, que conta também com as unidades do Estado, que atendem média e alta complexidade. Caiado ouviu as ponderações, mas não sinalizou se pode ou não voltar a atrás na medida apresentada. Na reunião, que durou cerca de uma hora e meia, o governador falou e depois cada prefeito teve direito à fala. Procurado pela reportagem para saber quais medidas poderá tomar, caso o decreto de Caiado seja publicado nesses termos, o prefeito de Rio Verde, Paulo do Vale (DEM), diz que já há estudos feitos na cidade em relação a isso. De acordo com o prefeito, o comitê de crise criado na cidade fez um levantamento das atividades que poderão voltar a funcionar gradualmente, “seguindo um conjunto de regras rigoroso e com a obrigatoriedade do uso de máscaras por quem for aos estabelecimentos, assim como aos funcionários”.
Ele afirma que houve estudo de cada segmento, como hotéis, oficinas, restaurantes, lojas de eletrodomésticos, de assessórios de celular, e de vestuário. “Poderão voltar, mas com distanciamento e todos de máscaras.” Paulo relata também que os comércios que voltarem serão obrigados a fixar cartaz e distribuir folders contendo as regras a serem seguidas e com telefone de denúncia. “Caso o cliente veja que as medidas não estão sendo cumpridas, poderá denunciar. O comerciante, ao abrir, vai receber o material e assinar um termo de conhecimento. Se não cumprir, vai fechar.” Já o prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (MDB), relata que o comitê criado na cidade estuda a possibilidade de criar um aplicativo para monitorar o número de celulares dentro do estabelecimento que tiver autorização para funcionar.
“Isso está em estudo. A ideia é determinar número mínimo de pessoas a ser permitido de acordo com o tamanho dos comércios e fiscalizar.” Gustavo sugeriu ao prefeito de Goiânia, Iris Rezende, que as duas cidades tomem medidas em conjunto, visando a flexibilização das atividades. Conversas nesse sentido devem ser feitas até a próxima semana. O prefeito anunciou também que a cidade vai abrir outros 90 leitos para tratamento de Covid-19. A cidade recebeu R$ 15 milhões do Ministério da Saúde a pedido do prefeito e intermediados por Caiado.
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