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Foto: Reprodução/YouTube
Marconi diz que a situação de governadores e prefeitos será bem pior do que a da União “porque a União pode imprimir dinheiro”
De bom humor, Marconi Perillo reaparece em live para falar de coronavírus
19/04/2019, às 18:30 · Por Eduardo Horacio
Em evento promovido pela Trevisan, dentro do projeto
Webinar, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) fez sua primeira fala longa em
público desde o fim das eleições de 2018, quando perdeu a disputa para o
Senado. O vídeo dele na live pode ser visto na íntegra aqui. Durante todos os
38 minutos de vídeo, em momento algum citou o governador Ronaldo Caiado (DEM),
embora falasse de Goiás em diversos momentos. “Eu deixei o governo de Goiás
exatamente há dois anos (em abril de 2018, quando José Eliton assumiu), e essa
é minha primeira aparição púbica, apareci com carinho e foi uma honra
participar desse espaço”, afirmou.
Marconi disse, nesta live de 8 de abril (haverá outra, desta
vez local, com Jânio Darrot e José Eliton, também tucanos, nesta segunda-feira,
20 de abril), que tem “conversado com sanitaristas e governadores” para
discutir a Covid-19 em si e também o impacto econômico. “Falei com o secretário
da fazenda do Rio e ele me disse que o Estado levou um tombo nas receitas,
segundo ele me informou a expectativa é de o Estado arrecadar R$ 15,7 bilhões a
menos, sendo R$ 11 bilhões a menos com ICMS”, afirmou. Marconi disse ter conversado
também com o “dr. Henrique Meirelles”, secretário da Fazenda de São Paulo, e “o
tombo também será grande”.
Marconi também diz que a situação de governadores e
prefeitos será bem pior do que a da União “porque a União pode imprimir
dinheiro”. Segundo o tucano, “esse momento exige maturidade e responsabilidade
global. O que está em jogo são vidas, ninguém sai de casa porque está com medo,
não é só porque o governador mandou, não”, afirmou. “Em que momento os governos
vão começar a autorizar as pessoas a saírem do isolamento?”, indagou.
O ex-governador goiano também disse que “tem um problema
heterogêneo, uma coisa são as cidades grandes e outro são as menores, e se
afrouxar e as pessoas começarem a morrer?”, completou, dialogando com o
presidente do Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa (IRRE),
Walfrido Warde.
“O que está sendo dito é menor do que está prestes a
acontecer no Brasil até agora”, afirmou. Ele diz que o pico deve ocorrer no
início de maio e reclama que muitos testes ainda não foram feitos na população.
“A Coreia do Sul é um exemplo do que deve ser feito, fez testes em massa e
disponibilizou máscaras para todo mundo, além de adquirir grande soma de respiradores”,
avaliou o tucano.
Bolsonaro
Ele se diz preocupado com o fato de não haver um comitê de crise no Brasil para
discutir permanentemente o assunto. “Lá em janeiro mesmo deveria ter sido
criado o comitê de crise, eu mesmo como governador sempre fiz isso
antecipadamente sempre que vislumbrava algum perigo iminente”, afirmou. “Mas
esse comitê de crise tem de ter uma liderança, no caso, um governador, um
presidente”, completou. Marconi ainda repetiu um bordão batido: “nas crises
surgem as grandes oportunidades”. “Precisamos melhorar a legislação, tanto na
questão social quanto na questão fiscal”. Ele elogiou bastante os presidentes
da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), e do Senado, David Alcolumbre (DEM). “As duas Casas
têm cumprido bem o seu papel”, destacou, dizendo que as duas Casas são “o oxigênio
da sociedade” e ambas têm tomado “boas iniciativas”.
Marconi também reclamou do pacto federativo. “A União
concentra 72% das receitas nacionais e não reparte com os Estados, eu convivi
com presidentes diferentes e com seis ministros da Fazenda diferentes e, na
minha opinião, quando uma liderança nacional aglutina realmente, isso faz
diferença, falta essa verticalidade hoje no Brasil, se eu fosse presidente eu
teria chamado lá em janeiro todos os segmentos da sociedade para discutir um
plano único de contingência, um planejamento que pudesse organizar a cabeça das
pessoas para a crise, e não pode ser alguém autoritário, tem que ser alguém que
se impõe pela respeitabilidade”, assinalou.
A favor da China
Segundo Marconi, “o Brasil deveria intensificar o comércio com a China e não
brigar com ela (em referência às brigas do filho de Bolsonaro com o país
asiático), isso é óbvio”. “Temos que trabalhar para exportar para a China, mas
também para atrair turistas chineses, é uma relação que precisa ser azeitada e é
preciso evitar qualquer melindre”, completou. “Em Goiás, a China foi responsável
por 56% das exportações de Goiás em 2019 e são eles que têm máscaras,
respiradores e tudo mais, em todos os aspectos, na minha opinião, temos que
estender o tapete vermelho para a China e também para a Índia, entre outros
países”, destacou.
Ele também disse que “talvez a reação (da China) contra o
Brasil pode vir daqui a seis meses ou ou um ano, essas relações externas têm
regras próprias”. Por fim, Marconi disse que a crise da Covid-19 é até pior do
que uma guerra, sob determinada ótica.
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