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Goiânia, 04/04/25
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Em entrevista ao Poder Goiás, o presidente da OMB-GO, Emerson Biazon, destacou que os músicos inicialmente não conseguiram ter acesso ao auxílio emergencial do governo federal

Ajuda a artistas goianos durante pandemia vem de todos os lados

08/05/2020, às 11:20 · Por Pedro Lopes

A seção goiana da Ordem dos Músicos do Brasil (OMB) se mobiliza para ajudar um dos segmentos mais atingidos pela pandemia do novo coronavírus: o entretenimento. São mais de 13 mil credenciados no Estado e a entidade está agindo para arrecadar cestas básicas para profissionais que viram os bares e restaurantes fechados e os eventos cancelados.

A entidade, com apoio de inúmeros entusiastas, conseguiu inúmeras doações. Ao todo, 300 cestas já foram entregues. A Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Políticas Afirmativas (SMDHPA) da Prefeitura de Goiânia também é uma das que estão ajudando o seguimento com cestas doadas nesta semana pela Bandeirantes Coca Cola. O empresário Heder Capacete também articula com a Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) a inclusão da categoria no rol de doações da pasta. 

Além disso, com ajuda de Heder Capacete, a OMB conseguiu 500 kg de arroz, 300 litros de leite, 150 kg de feijão e 200 kg de macarrão na 1ª edição da live Villa Mix Esperança, organizado no em abril pelo escritório Audiomix. O evento também arrecadou R$ 250 mil para a Santa Casa de Misericórdia de Goiânia. (Assista abaixo). 

Em entrevista ao Poder Goiás, o presidente da OMB-GO, Emerson Biazon, destacou que os músicos inicialmente não conseguiram ter acesso ao auxílio emergencial do governo federal. “Através do nosso conselho federal o Ministro do Turismo mudou o formato e só conseguiu esse direito há pouco”, destacou. 

Em ofício encaminhado ao governo federal no dia 18 de março, o Conselho Federal da Ordem dos Músicos do Brasil solicitou apoio do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) para criar recursos de assistência financeira ou incentivos aos artistas afetados pelos cancelamentos de shows e comparou a situação do Brasil com os Estados Unidos. 

“O músico americano, na impossibilidade de exercício da atividade, vai ao banco solicitar um empréstimo para suprir as suas necessidades pagando juros de 0,5% ano. Para o músico brasileiro o empréstimo pode variar de 10 a 18% ao mês”, argumenta. 

Leia a entrevista com o presidente Emerson Biazon:

Quando surgiu a Ordem do Músicos?

22 de Dezembro de 1.960 que foi uma conquista dos músicos na época, onde músicos e cantores eram conhecidos como sem nada para fazer e sem profissão. 

Quantos músicos são hoje na ordem?

Credenciados temos 13.264. Em dias com a ordem temos no máximo 200. 

Quantos no total estão listados na Ordem e não listados?  

No Estado, incluindo músicos, cantores e compositores, que são as profissões que a ordem credencia, são quase 500 mil.

O que a Ordem está fazendo por eles?

Desde que assumi a presidência da OMB de Goiás em janeiro de 2018, que na época vim após denúncias e denúncias de má gestão, organizamos a casa. A Ordem estava com mais de 80 mil de condomínio, com muitas carteiras falsas sendo emitidas pela gestão da época e com várias irregularidades como pendência financeira em bancos, contas de telefones e internet, onde a gestão passada não fazia nada pelos músicos. 

Conquistamos junto ao extinto Ministério do Trabalho (hoje Secretaria do Trabalho) o reconhecimento da classe junto as instituições financeiras e a previdência social e ao INSS. Hoje a nossa classe é reconhecida pela portaria 656 do dia 22 de Agosto de 2018. Onde o músico tem direito a insalubridade, com isso tendo redução de tempo de trabalho junto para sua aposentadoria. Tenho feito várias parcerias junto a iniciativa privada como: desconto em farmácias, faculdade, clínica odontológica e descontos nas consultas médicas. 

O que o governo Bolsonaro faz para ajudar neste momento? O auxílio emergencial foi acessado ou não?

Quando lançou o auxílio emergencial, o governo definiu as profissões que teriam acesso. No entanto, por meio do conselho federal, descobrimos que a nossa classe não estava inclusa. Então, através de mobilização, o Ministro do Turismo, que cuida da pasta que somos ligados, recebeu a ordem e mudou o formato e assim os músicos foram inclusos.

Qual a expectativa sobre a retomada do segmento?

Creio que grandes eventos será difícil esse ano. Mesmo que as coisas normalizam até agosto sendo bem otimista, shows esse ano creio que não teremos mais devido aglomeração. Mesmo que o governo libere, creio que a população não irá se arriscar.


OMB Heder Capacete