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Petistas, pedetistas e tucanos defenderam Temer, mas os dois goianos preferiram o silêncio

Por que Daniel Vilela e Alexandre Baldy nada disseram sobre prisão de Temer?

24/03/2019, às 00:00 · Por Diene Batista

Nos quase três anos em que Michel Temer (MDB) esteve à frente da Presidência da República, em Goiás os maiores beneficiados foram os então deputados federais Daniel Vilela (MDB) e Alexandre Baldy (PP), além do atual presidente da Fieg, Sandro Mabel. Agora, em meio à turbulenta prisão do ex-presidente na quinta-feira, 21, os dois políticos goianos preferiram o silêncio à defesa de Temer.

Sob Temer, o status dos dois parlamentares mudou completamente. Daniel Vilela ocupou a presidência da prestigiada Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Federal, angariou milhões em emendas parlamentares para municípios goianos e recebeu apoio decisivo do Palácio do Planalto para deslanchar seu projeto de disputar o governo de Goiás – Vilela terminou a disputa em segundo lugar com 16% dos votos, derrotado por Ronaldo Caiado (DEM) no primeiro turno.

Alexandre Baldy alçou voo ainda maior. Temer nomeou o parlamentar goiano para o comando do Ministério das Cidades. Em uma pasta com muitos recursos, Baldy rodou o País levando recursos, vistoriando obras e inaugurando casas do Minha Casa, Minha Vida, entre outros projetos. Concluído o governo Temer, Baldy foi convidado para assumir a Secretaria de Transportes Metropolitanos na gestão de João Dória (PSDB), em São Paulo.

Entre os políticos goianos, porém, chamou a atenção que nem Daniel nem Baldy fizeram qualquer defesa do ex-presidente. Muitos políticos, incluindo adversários como o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), o ex-presidenciável Ciro Gomes (PDT-CE) e até mesmo vários petistas consideraram arbitrária a prisão de Temer pelo braço da Operação Lava-Jato no Rio de Janeiro.

Respondendo a muitos processos e sem qualquer perspectiva política futura, Temer não desperta instinto de solidariedade em solo goiano. No frigir dos ovos, políticos jovens como Daniel e Baldy, com muitas eleições pela frente, temem dar explicações aos eleitores pelos malfeitos do ex-presidente. A experiência atual talvez sirva, porém, para a dupla abraçar novos projetos com um pouco mais de parcimônia.  


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