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Goiânia, 04/04/25
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Foto: Divulgação

Caiado resolveu, de forma escancarada, abraçar o governo Bolsonaro, para o bem ou para o mal

Caiado mudou o jeito de capitalizar Brasília?

28/03/2019, às 00:00 · Por Diene Batista

Com mais de três décadas de mandatos no Congresso Nacional (de 1987 pra cá, só ficou fora no período 1995-1998), Ronaldo Caiado (DEM) tornou-se uma das vozes mais eloquentes das duas casas. Começou como defensor classista da UDR, foi figura importante no Centrão da Constituinte e foi um dos mais contundentes opositores dos presidentes Lula e Dilma, ambos do PT, ocupando todos os holofotes possíveis na imprensa tradicional e, posteriormente, em redes sociais.

Um exemplo foi o embate promovido por deputados e senadores até o impeachment da presidente Dilma, em 2016. Senador da República, Caiado foi um dos líderes que mais lutaram para apear a presidente do poder. Logrado êxito, Caiado não mudou o tom da voz para tornar-se rapidamente um dos mais ferrenhos críticos do presidente Michel Temer (MDB), beneficiário direto do encurtamento do mandato da petista.

Esse momento, porém, revela um Ronaldo Caiado diferente. Com um Estado para administrar e com muitos problemas sem solução, até aqui o governador mudou a forma de agir, ao menos em Brasília. Ao invés de correr de uma crise como sempre fez, decidiu abraçar-se a ela.

Em duas agendas em Brasília, durante a semana, Caiado despachou, primeiro, com o ministro da Justiça, Sergio Moro, e depois com o presidente Jair Bolsonaro. Em ambas, se meteu em assuntos espinhosos que abalam a popularidade do novo governo federal.

O governador passou por cima do embate entre Moro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), e pousou ao lado do ministro com uma pauta de segurança pública. Neste momento, o Congresso recusa-se a pautar o chamado pacote anticrime enviado de Moro e o ministro tem pouco ou nada a oferecer ao Estado.

Em outra frente, ainda mais complicada, Ronaldo Caiado decidiu ser o principal nome nacional do DEM a posicionar-se ao lado de Bolsonaro na empreitada pela Reforma da Previdência. A pauta é considerada relevante pela maior parte dos políticos, mas até integrantes da base do governo acusam o presidente de deixar de lado a articulação e tentar pressionar o Congresso por meio de redes sociais.

Ao defender Moro e Bolsonaro, Caiado até pode conseguir angariar alguma simpatia do ministro e do presidente no curto prazo. Porém, hoje o governo federal, em meio ao descrédito e falta de rumo que atravessa, tem pouco a oferecer para Caiado superar os problemas de gestão no Estado. Em médio prazo, sem que haja qualquer lastro, a ação de Caiado pode tornar-se um ‘tiro no pé’.

O estranhamento fica completo quando se nota que historicamente Caiado não tem o hábito de ficar ao lado de quem flerta com o abismo. Quando Demóstenes caiu em desgraça com a Operação Monte Carlo, em 2012, Caiado foi um dos primeiros abandoná-lo. Idem com José Roberto Arruda, também companheiro do DEM, três anos antes. Em outra análise publicada pelo Poder Goiás, a avaliação é de que, cedo ou tarde, o governador perceberá que as soluções para Goiás estão aqui e não em Brasília (leia aqui)


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