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Vanderlan caiu em armadilhas do marketing do MDB. Falou demais e falou besteira. O marketing do MDB soube usar isso na hora certa e na dose certa
Análise: Força de Iris, marketing e militância orgânica explicam vitória de Maguito
29/11/2020, às 20:42 · Por Eduardo Horacio
Fora da campanha há mais de 45 dias, internado na UTI do
hospital Albert Einstein, em São Paulo, para tratamento das sequelas da
Covid-19, Maguito Vilela (MDB) conquista vitória histórica neste domingo, 29, e
vai comandar a Prefeitura de Goiânia nos próximos quatro anos. A eleição do
emedebista pode ser explicada pela força do prefeito Iris Rezende (MDB) na
Capital, o poder de mobilização da militância e pela biografia de Maguito.
Ao decidir não concorrer à reeleição e anunciar
aposentadoria, o prefeito Iris Rezende afirmou que não participaria do pleito,
mantendo-se isento. Mesmo assim, ao se lançar na disputa, rapidamente Maguito
foi visto pela maioria esmagadora do eleitorado como o candidato da
continuidade.
O histórico de lealdade militando 40 anos ao lado de Iris
facilitou a identificação pelo eleitor. Com isso, Maguito cresceu rapidamente
nas pesquisas ultrapassando o senador Vanderlan Cardoso antes do primeiro turno.
O adversário também tentou surfar na popularidade de Iris, mas a estratégia
simplesmente não colou.
Militância
Se Iris não participou diretamente, a militância do MDB de certa forma
compensou a ausência. Com o partido unido em torno de Maguito e a adesão de
quase todo o primeiro escalão de Iris, a campanha ganhou corpo nas ruas e nas
redes sociais. Segundo várias pesquisas Ibope divulgadas durante a eleição, 10%
dos goianienses têm no MDB seu partido do coração. Só o PT tinha índice
semelhante, com 9%. Vanderlan, ao mudar várias vezes de partido, não consolidou
militância orgânica em partido nenhum.
O volume de campanha de Maguito Vilela foi maior que de
Vanderlan desde o início. Mais eventos públicos (adesivaços, bandeiraços,
palanques móveis, visitas a feiras, além de muitas reuniões) e maior presença
nas principais redes sociais. No primeiro turno, com 16 candidatos e eleição
para a Câmara Municipal, a diferença já era visível. Com dois candidatos, no segundo
turno, apenas a campanha de Maguito ganhou as ruas, mesmo com o candidato
ausente.
Biografia
No início, o eleitorado enxergava Maguito e Vanderlan como concorrentes com
perfis parecidos. Ambos foram prefeitos de cidades próximas à Capital, um era
senador e o outro já havia sido. Vanderlan tinha na TV na TV mais de 2 minutos
nos blocos de propaganda eleitoral, enquanto Maguito tinha 50 segundos a menos.
Vanderlan não soube tirar proveito e o marketing do MDB usou melhor o tempo de
TV.
Vanderlan caiu em armadilhas do marketing do MDB, comandado por Jorcelino Braga. Falou
demais e falou besteira. O marketing do MDB soube usar isso na hora certa e na
dose certa. Para piorar, ao comparar as gestões de Maguito em Aparecida de
Goiânia e de Vanderlan Cardoso em Senador Canedo, a balança pendeu para o
candidato do MDB. As administrações de Maguito transformaram uma cidade maior,
com maiores desafios. Aos poucos, Aparecida apagou Senador Canedo na mente do
eleitor, especialmente por ser bem maior e mais complexa.
De Aparecida de Goiânia ainda veio outro trunfo para
Maguito. O atual prefeito Gustavo Mendanha foi reeleito no primeiro turno com
uma votação extraordinária (95% dos votos válidos). Mendanha é visto pelo
eleitor como um ‘filho’ de Maguito. A continuidade da gestão do MDB na cidade
contrasta com as mudanças em Senador Canedo, administrada por último por um
adversário de Vanderlan.
Mesmo na UTI em São Paulo, o perfil conciliador e de diálogo
angariou simpatia à candidatura do emedebista. Com Vanderlan apostando em falas
e táticas arriscadas no segundo turno, a campanha de Maguito angariou uma
avalanche de apoios, de políticos com perfil de esquerda até alguns conservadores
de direita. Ao contrário, sem grupo político (esteve em cinco partidos
diferentes nos últimos dez anos) e novamente candidato de ocasião do Palácio
das Esmeraldas, os apoios de Vanderlan acabaram restritos ao alcance do atual
governo. Pra piorar, Vanderlan ainda resolveu atacar o PT no segundo
turno, afastando dele os eleitores que votaram em Adriana Accorsi.
Ao contrário do que alguns imaginam, o estado de saúde de
Maguito não somou votos para ele. Ao contrário. A comoção no eleitorado foi pouca
e a preocupação foi muita, sobretudo pelo vice ser um desconhecido da maioria
dos eleitores. Uma consulta ao Google Trends mostra que houve um disparo na
busca por “Maguito morreu” no Google nas últimas 24 horas de campanha no segundo
turno. Isso ajuda a explicar por que rigorosamente todas as pesquisas da
véspera da eleição apontavam vitória de Maguito por uma margem de 15 a 20
pontos porcentuais e ela foi de apenas 5,2 pontos nas urnas.
Por que houve esse “aumento repetindo”, termo que o próprio
Google usa, para essa busca de pesquisa tão mórbida e justamente na véspera da
eleição? Provavelmente boatos de última hora, talvez disparados por WhatsApp,
talvez por meios tradicionais. Ninguém pode afirmar ainda se foi algo orgânico
ou coordenado por alguém. Caberá à Justiça Eleitoral investigar.
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