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A ideia de José Eliton em 2018 foi garantir a segurança com uma ação policial mais forte contra grupos criminosos e colher efeitos eleitorais rápidos

Aumento de mortes pela PM coincide com discurso de ex-governador

24/04/2019, às 00:05 · Por Eduardo Horacio

A principal mudança na gestão do PSDB em Goiás com a ascensão de José Eliton ao governo foi a troca no comando da Segurança Pública. Antes mesmo de tomar posse, em abril de 2018, Eliton promoveu o ex-governador Irapuan Costa Júnior ao cargo de secretário de Segurança Pública e trocou todos os comandos da polícia goiana. 

Naquele momento, José Eliton tentava imprimir uma marca ao seu futuro governo – herdou o cargo com a renúncia do então governador Marconi Perillo (PSDB), que que disputaria mandato de senador. Antes, Eliton já havia comandado ele próprio a segurança pública, também com discurso de ‘tolerância zero’ contra a criminalidade. 

A orientação do governo ao trocar o comando da Segurança Pública era agir com mais “energia” contra os criminosos, expressão repetida à exaustão e que sempre volta de tempos em tempos à política goiana, dando maior proteção aos policiais envolvidos em ações. “Não sei o que é ser linha dura. Se for aplicar a lei com energia e dar a cobertura que o policial merece, eu serei linha dura”, explicou Irapuan em sua posse. 

A ideia do governador José Eliton naquele momento era garantir a segurança da população com uma ação policial mais forte contra os grupos criminosos e colher efeitos eleitorais rápidos. Para isso, o governo dispensaria também uma atenção maior, até com a contratação de advogados, para os policiais arrolados em processos por mortes em ações. 

Na época, especialistas alertaram que o discurso de tolerância zero e proteção ao trabalho da PM poderia soar como incentivo à letalidade policial. Os números atuais parecem caminhar em direção a essa tese.  

Resultados
Segundo levantamento do jornal O Popular, sob José Eliton e Irapuan Costa Júnior, em 2018 a Polícia Militar se envolveu em 288 ações que resultaram nas mortes de 424 pessoas, 154 mortes a mais que as registradas em 2017 – aumento expressivo de 57% em apenas um ano, sem registro de alguma morte de policial. 

Se o recorte for um período de tempo maior, de 2011 para 2018, houve uma disparada no número de mortes praticadas pela PM goiana: há sete anos foram registradas 52 mortes em ações policiais. O crescimento nesse período foi, portanto, de 715%. 


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