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A decisão de Rogério Cruz de ceder a esses dois desejos veio no início de março. Na visão da cúpula, encampada pelo prefeito, o luto já havia passado e as mudanças deveriam começar logo.
Rogério Cruz elege Wanderley Tavares como homem forte, atropela MDB e ataca até legado de Iris Rezende
05/04/2021, às 09:25 · Por Eduardo Horacio
A decisão do prefeito Rogério Cruz (Repúblicanos) de
promover uma ampla reforma administrativa antes mesmo de completar três meses
de mandato – e dois meses depois da morte de Maguito Vilela – parece atender as
vontades de seu partido em nível nacional e ao desejo da Igreja Universal do
Reino de Deus (Iurd) por postos estratégicos da Prefeitura de Goiânia. As
mudanças vieram após pressão da direção nacional do partido e sequer levam em
conta o trabalho deixado pelo ex-prefeito Iris Rezende (MDB).
Rogério Cruz assumiu em definitivo o comando do Paço em 15
de janeiro, dois dias após a morte de Maguito Vilela, por complicações da
Covid-19. Ao assumir, o prefeito foi claro em anunciar tom conciliador e
enfatizar o propósito de levar adiante do plano de governo deixado por Maguito
e a continuidade da gestão de Iris, mote vencedor da eleição.
Não demorou muito e Cruz passou a ser pressionado pela
cúpula de seu partido e pela Iurd a promover mudanças. A decisão de Rogério
Cruz de ceder a esses dois desejos veio no início de março. Na visão da cúpula,
encampada pelo prefeito, o luto já havia passado e as mudanças deveriam começar
logo.
Em reuniões com o presidente do MDB, Daniel Vilela, as
primeiras alterações foram anunciadas. Apesar da resistência inicial e do
alerta das consequências que tais mudanças ocasionariam, a decisão já
estava tomada. A surpresa maior estava no interlocutor: Wanderley Tavares,
presidente do Republicanos no Distrito Federal.
Depois de alguma negociação, foram definidas as trocas em
cinco pastas: Governo, Comunicação, Comurg, Educação e Cultura. As três
primeiras por interesse da cúpula do Republicanos da Iurd e as duas últimas por
vontade pessoal de Rogério Cruz, que tinha desavenças pessoais com os até então
titulares. O primeiro anúncio foi a saída de Andrey Arezedo da secretaria de
Governo e a chegada de Arthur Bernardes, já sugerido por Wanderley.
Mesmo contrariado, a decisão do MDB era de se adaptar e acatar
as mudanças. O partido considerava natural um maior espaço para o Republicanos,
mesmo avaliando como precipitadas as mudanças com menos de dois meses da morte
de Maguito, sem contar a preocupação com a chegada de nomes que não conheciam
Goiânia.
A temperatura voltou a subir com o rompimento de acordos, alguns
menores e outros maiores, e novas decisões cada vez mais precipitadas. Entre
elas, a saída de Andrey, que ocorreria após ele assumir cargo em Brasília. O
acordo não durou 24 horas. A substituição de Marcela Araújo na Secretaria de
Administração, que não foi acordada em momento algum, também ajudou a tensionar
ainda mais a relação.
Depois de diversas reuniões e consultas internas, Daniel
Vilela decidiu colocar o rompimento em pauta com a decisão de Rogério Cruz de
substituir também Zilma Campos Peixoto da presidência da Amma. A secretária era
um dos símbolos do mandato exitoso de Iris Rezende. Além disso, estava claro
que o partido Republicanos e a Igreja Universal não estavam dispostos a acordos
e continuariam a fazer mudanças.
Obras paralisadas
A substituição acelerada de auxiliares não foi o único fator a causar
incômodo entre os emedebistas. A decisão de Rogério Cruz de suspender o
contrato de reconstrução do asfalto de 630 quilômetros de ruas e avenidas da
Capital deixou perplexo o comando do MDB. A medida, sem nenhuma comprovação de
irregularidade, não representava apenas paralisação da atual gestão, mas também
era vista como afronta ao ex-prefeito Iris Rezende. E mais: por que parar as
obras justamente no momento da seca?
O mesmo Diário Oficial que trouxe o decreto de suspensão do
contrato também trouxe outras surpresas, criando comitês de gestão e
concentrando poderes na Secretaria de Governo, agora sob o comando de Arthur
Bernandes, nome forte da “nova gestão” e que foi sugerido por Wanderley
Tavares.
Em reunião com todo secretariado para detalhar um dos
decretos, que cria um plano de governança para o Município, o secretário de
Finanças, Alessandro Melo, rebateu com veemência as mudanças. Melo classificou
os decretos como “retrocessos” e afirmou haver grande desconhecimento dos
méritos da gestão de Iris Rezende e que o atual governo se propunha a dar continuidade.
Rogério Cruz ouviu as queixas, mas não se manifestou.
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