Matérias
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
Dessas oito ações contra o ex-cronista esportivo, agora senador, seis foram feitas por senadores de Goiás: Vanderlan e Luiz do Carmo
Kajuru e Flávio Bolsonaro lideram representações no Conselho de Ética do Senado
09/05/2021, às 11:00 · Por Eduardo Horacio
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado Federal
tem 16 representações paradas contra parlamentares desde 2019. Destas, oito são
contra o senador Jorge Kajuru (Podemos), que lidera o topo da lista de
representados no colegiado. Em seguida vem o senador Flávio Bolsonaro
(Republicanos), filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que é alvo de
duas representações no colegiado por causa das “rachadinhas”, quando o
parlamentar fica com parte do salário dos funcionários do gabinete, e do
suposto envolvimento com milícias. Um das representações foi aditada para
incluir a compra da mansão de R$ 6 milhões em Brasília.
Flávio também é autor da última representação contra Kajuru,
por conta do senador goiano ter gravado e publicado diálogo telefônico com Jair
Bolsonaro em relação à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar
ações e omissões do governo federal no enfrentamento da pandemia da Covid-19.
Dessas oito ações contra o ex-cronista esportivo, agora
senador, seis foram feitas por senadores de Goiás – Luiz do Carmo (MDB)
apresentou quatro, e Vanderlan Cardoso (PSD), duas – por motivos semelhantes.
Segundo eles, Kajuru utiliza as redes sociais para fazer ataques aos
adversários políticos, com supostas insinuações relativas ao erário.
“O representado busca expor de forma negativa a imagem de
colega parlamentar, incutindo o sentimento de seus seguidores que o requerente
não tem nenhuma preocupação com erário público e apenas busca privilégios no
exercício do cargo”, diz uma representação protocolada por Vanderlan. A outra
foi do PSDB, sob o argumento de que o senador usa meios de comunicação para
manchar a imagem dos colegas.
Outros senadores
Além de Flávio Bolsonaro e Kajuru, segundo levantamento do site Metrópoles,
os senadores Paulo Rocha (PT-PA), Humberto Costa (PT-PE), Chico Rodrigues
(DEM-RR), Davi Alcolumbre (DEM-AP), Cid Gomes (PDT-CE) e Jayme Campos (DEM-MT),
que é presidente do colegiado, possuem uma representação cada.
Chico Rodrigues, que foi flagrado com dinheiro entre as
nádegas numa operação da Polícia Federal em Roraima (e
defendido publicamente por Vanderlan Cardoso), é um caso emblemático. O
senador do DEM se licenciou por 121 dias para baixar a pressão na Casa por
causa dele, e retornou às atividades em meados de fevereiro.
Apesar da coleção de representações a serem analisadas, o
Conselho de Ética, que possui 15 membros titulares e 15 suplentes, está
instalado, mas não tem previsão de retorno para sessões. O colegiado não
funcionou durante todo o ano de 2020 por causa da pandemia da Covid-19, e segue
parado.
Jorge Kajuru Flávio Bolsonaro Luiz do Carmo Luiz Carlos do Carmo Vanderlan Cardoso Chico Rodrigues Senado