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Alexandre Baldy liderou, na semana passada, a bolsa de apostas para voltar ao Ministério das Cidades – em negociação com o Congresso Nacional, a pasta deve ser recriada, com o desmembramento do atual Ministério do Desenvolvimento Regional,
Com resistência em Goiás para assumir ministério, Baldy reage com críticas a Caiado
14/05/2019, às 09:04 · Por Eduardo Horacio
Cotado para assumir um ministério no governo de Jair Bolsonaro (PSL), o secretário de Transportes do governo de São Paulo, Alexandre Baldy (PP), enfrenta a maior resistência justamente em Goiás, seu Estado de origem. Em reação, após trocar farpas no Twitter com o senador Jorge Kajuru (PSB), Baldy usou a mesma rede social para desferir duras críticas ao governador Ronaldo Caiado (DEM) nesta segunda-feira, 13.
“Para todos os anapolinos terem conhecimento, a partir de meia-noite de hoje, 14 de maio, a Santa Casa de Anápolis estará paralisando o atendimento de emergência e urgência por falta de pagamento do governo do Estado de Ronaldo Caiado. Triste Realidade”, escreveu em sua conta no Twitter o ex-deputado federal e ex-ministro das Cidades no governo de Michel Temer.
Na postagem seguinte, Baldy repetiu o nome do governador outras duas vezes: “Anapolinos que acreditaram em Ronaldo Caiado, que buscaram a melhoria em suas vidas, recebem este presente: o governo de Ronaldo Caiado paralisou os pagamentos à Santa Casa, prejudicando o atendimento de urgência e emergência para milhares de cidadãos de Anápolis e de Goiás.”
Mais cedo, Alexandre Baldy já havia criticado o governador ao repostar uma informação do portal G1 em que a montadora Caoa informa que chineses estariam interessados em produzir carros na fábrica da Ford, em São Paulo. A montadora Caoa tem uma fábrica em Anápolis. “Governador Ronaldo Caiado, pelo jeito, virou as costas para Anápolis, para os empregos em Goiás”, atacou.
Antes, no domingo, 12, o ex-ministro havia rebatido críticas recebidas pelo senador Jorge Kajuru, que o denunciou por suposto esquema de corrupção. “Me bloqueando, Kajuru demonstra que não tem coragem para debater, aproveita-se do monólogo para desferir palavras que deseja, mas tem medo de me enfrentar”, anotou. Em seguida, subindo o tom, Baldy chamou o senador por Goiás de “vigarista”.
Resistência e críticas
Alexandre Baldy liderou, na semana passada, a bolsa de apostas para voltar ao Ministério das Cidades – em negociação com o Congresso Nacional, especialmente com o chamado "Centrão", a pasta deve ser recriada (com o desmembramento do atual Ministério do Desenvolvimento Regional) cinco meses após ser extinta por Bolsonaro.
A favor do político goiano há o respaldo do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), e bom trânsito dele com o grupo de parlamentares do chamado centrão e com a ala militar do governo federal. Baldy chegaria ao ministério para ser interlocutor entre o Executivo e o Legislativo.
Entretanto, se coleciona apoios, Alexandre Baldy enfrenta forte resistência justamente em Goiás. O político fez carreira ao lado do governador Marconi Perillo (PSDB) – foi secretário na gestão tucana, eleito deputado federal pelo PSDB, antes de trocar de legendas até chegar ao comando do PP no Estado. Na eleição de 2018, Baldy levou o PP para aliança com o MDB, que respaldou a candidatura de Daniel Vilela ao governo.
O histórico político de Baldy o coloca em lado oposto ao do governador Ronaldo Caiado, que exerce forte influência no governo de Jair Bolsonaro. Bastou o ex-ministro voltar aos holofotes com chances de tornar-se novamente ministro para virar alvo do senador Jorge Kajuru, aliado do governador. Percebendo a fritura a que está sendo submetido, Alexandre Baldy reagiu com criticas diretas endereçadas ao Palácio das Esmeraldas. Até aqui, Caiado não rebateu.
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