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Foto: Alan Santos/PR
O presidente também voltou a defender a cloroquina, remédio que tem ineficácia comprovada contra a Covid-19. “Talvez eu seja o único chefe de Estado no mundo que defende isso", afirmou
Em Goiás, Bolsonaro questiona mortes por Covid, defende cloroquina e provoca aglomerações
10/06/2021, às 01:40 · Por Eduardo Horacio
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a questionar, nesta quarta-feira, 9, o número total de mortos pela Covid-19 no Brasil em 2020, que foi de 194.976 óbitos, de acordo com o Ministério da Saúde. O Tribunal de Contas da União (TCU) foi novamente apresentado como fonte da informação pelo presidente da República, apesar de o órgão ter negado ter produzido a informação. O número divulgado em algumas redes sociais foi fruto de uma iniciativa de um servidor do órgão (Alexandre Marques), filho de um amigo de Bolsonaro.
“Tive acesso a dois acórdãos do TCU e dizia o TCU que a metodologia para enviar recurso aos estados, levando-se em conta a incidência do Covid, poderia suscitar a prática indesejável de um superdirecionamento”, discursou o presidente no interior de Goiás. “Trabalhei em cima daquilo e apareceu uma tabela. Só me equivoquei quando troquei acórdão por tabela”, afirmou Bolsonaro. “A tabela que não foi feita por mim, mas por gente que está do meu lado”, completou, sem citar o nome do servidor Alexandre Marques, que foi afastado de suas funções pela presidência do TCU nesta quarta. Bolsonaro disse que o número de mortos em 2020, tirando os quase 200 mil óbitos por Covid, teria crescimento negativo em relação a 2019, mas não apresentou os números.
Fraude
Durante discurso em um culto na igreja Church in Connection, o presidente voltou a criticar o sistema eleitoral por urna eletrônica e disse, sem apresentar provas, que foi eleito no primeiro turno da eleição de 2018, mas que "fraudes" o levaram para o segundo turno. A declaração foi dada após o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmar que o voto impresso diminuiria a segurança da votação.
O presidente também voltou a defender a cloroquina, remédio que tem ineficácia comprovada contra a Covid-19. “Talvez eu seja o único chefe de Estado no mundo que fala isso. Será que o único certo? Para acertar na Mega Sena, alguns acertam sozinhos”, disse. “Se retirarmos as possíveis fraudes, teremos, em 2020, o Brasil como o país de menor número de mortos por milhão de habitantes por causa de Covid. Que milagre é esse? É o tratamento precoce. Quem aqui tomou hidroxicloroquina?”, questionou ele a uma plateia de voluntários. Alguns levantaram o braço e Bolsonaro disse: “Quer prova maior do que essa?”.
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