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Foto: Cristiano Borges
Se a agenda do prefeito de Goiânia é rica em agendas e eventos de relevância questionável, Rogério Cruz nada informa, nada explica ou mesmo se posiciona sobre ações
Análise: Rogério Cruz se cala sobre cancelamento de contrato milionário e abre agenda para contratação do palhaço Tirullipa
24/06/2021, às 17:55 · Por Eduardo Horacio
Na semana em que a Prefeitura de Goiânia divulgou nota
lacônica sobre o cancelamento do financiamento de R$ 780 milhões junto à Caixa
Econômica Federal para realização de obras de infraestrutura na Capital, o
prefeito Rogério Cruz (Republicanos) abre espaço na agenda para recepcionar
representantes do circo do palhaço e humorista Tirullipa.
A inversão de prioridades exemplificada acima na agenda do
chefe do Executivo goianiense não é um fato isolado. Nas últimas semanas,
Rogério Cruz, sempre ao lado da primeira-dama Thelma Cruz, esforçou-se numa
‘campanha do agasalho’ para doações de cobertores, numa agenda que remete a
governos das décadas de 70 e 80.
Durante a semana, Rogério Cruz também recepcionou um grupo
de skatistas no Paço e até arriscou algumas manobras. Não raro, o prefeito
também posta fotos e vídeos colhendo alfaces em hortas mantidas pela Prefeitura
ou prestigiando apresentações da orquestra sinfônica de Goiânia, mesmo em meio
às restrições impostas pela pandemia.
Se a agenda do prefeito de Goiânia é rica em agendas e eventos de relevância questionável, Rogério Cruz nada informa, nada explica ou mesmo se posiciona sobre ações e, sobretudo, as decisões que causam impacto real na vida da população goianiense.
O prefeito não comentou o motivo pelo qual o Paço afrouxou as
restrições em meio ao agravamento da pandemia – mais de 90% das UTIs da capital
estão lotados. Nem explicou porque desistiu do empréstimo junto à Caixa
Econômica e como o município fará para concluir as obras em andamento. Rogério
também havia se esquivado de falar sobre a paralisação da recuperação do
asfalto na Capital, no mês de abril, e tampouco explicou os motivos pelos quais
importou secretários e demitiu integrantes do início de sua gestão.
Tudo aquilo que é possível observar da agenda pública do
prefeito Rogério Cruz parece caminhar na direção das críticas da cúpula do MDB,
quando rompeu com a gestão dele há 3 meses. Na época, o presidente estadual do
MDB, Daniel Vilela, acusou Cruz de ser “fantoche” da direção nacional e chegou
a afirmar que o verdadeiro prefeito de Goiânia era Wanderley Tavares,
presidente do Republicanos do DF.
Até aqui, definitivamente, a agenda de Rogério Cruz não está
à altura do mandato de prefeito de Goiânia. Do prefeito de uma capital
espera-se muito mais do que colheita de alface, entrega de pães, palinha em
apresentação de orquestra ou ainda reunião com a equipe do palhaço Tirullipa,
que sequer se abalou em vir a Goiânia para apresentar tal projeto ao
prefeito.
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