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Quando disputou como favorito o governo de Goiás na eleição de 2018, o então senador Ronaldo Caiado passou a pré-campanha e todo o 1º turno sem se posicionar sobre a disputa presidencial

Apoio incondicional a Bolsonaro faz Caiado correr risco de ser engolido pela crise nacional

20/05/2019, às 00:09 · Por Eduardo Horacio

Quando disputou como favorito o governo de Goiás na eleição de 2018, o então senador Ronaldo Caiado (DEM) passou a pré-campanha e todo o 1º turno sem se posicionar sobre a disputa presidencial. O governador não demonstrava entusiasmo com a postulação de Jair Bolsonaro (PSL), considerada radical demais, e esperava com alguma ansiedade pelo crescimento de uma candidatura mais confiável.

Ao vencer a eleição em primeiro turno, o governador Ronaldo Caiado poderia se ausentar da disputa presidencial – àquela altura já polarizada entre Bolsonaro e Fernando Haddad, candidato do PT. Poderia, ainda, anunciar apoio protocolar ao candidato do PSL, como fizeram outros governadores eleitos no começo de outubro, desconfiados com a biografia do presidenciável.

O democrata, no entanto, decidiu mergulhar na campanha de Jair Bolsonaro no segundo turno. Com ajuda de Wilder Morais (DEM), Caiado abriu comitê e realizou comícios, carreatas e caminhadas para o candidato do PSL em Goiás. Terminada a disputa, o governador eleito declarou apoio incondicional à gestão Bolsonaro e exigiu participação do DEM na gestão do futuro presidente.

Ao mesmo tempo, Caiado fiou-se em Brasília para superar as dificuldades herdadas em Goiás. Mesmo antes de assumir o mandato, passou a reunir-se frequentemente com nomes da futura equipe de Bolsonaro. Após a posse, o governador priorizou agenda com os ministros Paulo Guedes (Economia), Sérgio Moro (Justiça) e Onyx Lorenzoni (Casa Civil), seu colega dos tempos de Câmara Federal.  

Nesses cinco meses de governo, Caiado reuniu-se diversas vezes com os principais ministros do governo federal. Também esteve ao lado do presidente em mais de uma oportunidade, sempre hipotecando-lhe apoio irrestrito, mesmo em pautas polêmicas como a reforma da previdência e o pacote anticrimes do ministro Moro.

Fé cega
Parlamentar por quase 30 anos antes de tornar-se governador, Ronaldo Caiado parece não se preocupar com a conjuntura em que está envolvido, sobretudo com o aprofundamento da crise que se abate sobre Bolsonaro. Segue apoiando-o, reunindo-se com ministros e despachando em Brasília imune a qualquer agenda negativa.

É como se Ronaldo Caiado não ligasse a TV, não abrisse os jornais de circulação nacional. Sequer parece avaliar as redes sociais, as quais sempre foi tão atento, ou mesmo as queixas de parlamentares de diversos partidos. Dessa forma, o governador de Goiás sustenta apoio incondicional e aguarda por soluções de agentes públicos que hoje sequer sabem como estarão daqui a uma semana.

Falência
O pacote de Moro subiu ao telhado, não é prioridade do Congresso e o ministro passou os últimos mais ocupado em desmentir o acordo que teria com Bolsonaro para ser alçado à condição de ministro do STF. Mesmo assim, Caiado segue acreditando que Goiás é uma das prioridades do ministro para um plano de combate à violência.

Sobre a situação econômica, após levar seguidas voltas do ministro Paulo Guedes, Caiado demonstrou irritação e mirou em Onyx Lorenzoni para conseguir ajuda de Brasília, mesmo que soluções precárias como o polêmico uso do FCO. Sem a reforma da previdência, empacada no Congresso diante da inabilidade do governo em negociar, Guedes não demonstra a menor pressa em socorrer estados em crise. Onyx é amigo de Caiado, mas é limitado por uma agenda caótica, com interlocução precária e cada vez mais isolada.

Em meio a esse cenário de crise gravíssima e inédita para um governo tão recente, caminhando a passos largos para tornar-se insustentável, Caiado parece disposto a acompanhar Bolsonaro até o ‘cadafalso’. Até aqui, o presidente da República combate a crise brigando com fatos, fustigando parlamentares e incentivando radicais a defende-lo a qualquer custo.

Da forma como a conjuntura política impõe-se, na hipótese real de Bolsonaro ser desapeado do governo de forma antecipada (talvez até mesmo renunciando ao cargo), o governador Ronaldo Caiado estará encalacrado, sem perspectivas, sem alternativa planejada de forma estratégica. Se a sangria de Bolsonaro estender-se até 2022, o democrata parece confortável em andar ao seu lado, mesmo que esteja completamente chamuscado. 


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