Matérias
Divulgação/PM-SP
O uso de câmeras acopladas aos uniformes e capacetes já é adotado pelas policiais em São Paulo e Rio de Janeiro, locais em que tanto o anuário como a mídia nacional já mostram uma redução no número de mortes durante intervenções policiais
Defensoria Pública cobra filmagem obrigatória de ações policiais em Goiás
18/07/2021, às 02:00 · Por Eduardo Horacio
A Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO) entrou com
uma recomendação formal ao governo estadual para que as forças policiais da
Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO) utilizem equipamentos que
possibilitem a gravação audiovisual de operações, dando preferência a câmeras
acopladas aos uniformes ou capacete dos agentes envolvidos. A revelação é do repórter Marcio Leijoto, do jornal O Popular.
O pedido foi feito um dia após o Anuário de Segurança Pública,
do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostrar que em 2020 o Estado
registrou 18% mais mortes em intervenções policiais do que no ano anterior.
Foram 631 óbitos em abordagens policiais contra 533 em 2019.
No documento do fórum consta que de acordo com as
estatísticas repassadas pela SSP-GO é possível afirmar que há abuso no uso de
força pelos agentes policiais em Goiás. A recomendação não cita especificamente
o aumento do número de mortes, nem mesmo os óbitos ocorridos em ações
policiais, mas, sim, um dos contextos em que isso ocorre: a entrada de
policiais em imóveis sem mandado judicial.
Entre as diretrizes a serem seguidas pelas forças policiais,
segundo a DPE-GO, está a “comprovação da existência de fundadas razões (justa
causa) para ingresso no domicílio de suspeito sem mandado judicial”.
A entrada nos imóveis precisa ser “aferida de modo objetivo
e devidamente justificadas, em situações de urgência, quando se possa comprovar
que do atraso decorrente da obtenção de mandado judicial se possa, objetiva e
concretamente, inferir que a prova do crime (ou a própria droga) será destruída
ou ocultada”.
O uso de câmeras acopladas aos uniformes e capacetes já é
adotado pelas policiais em São Paulo e Rio de Janeiro, locais em que tanto o
anuário como a mídia nacional já mostram uma redução no número de mortes
durante intervenções policiais. No Rio, há ainda outro fator considerado importante
para a redução: o veto do Supremo Tribunal Federal (STF) em ações policiais em
comunidades durante a epidemia de Covid-19.
Na recomendação encaminhada nesta sexta-feira, 16, o Núcleo
Especializado de Direitos Humanos (NUDH) da defensoria argumenta que as medidas
sugeridas foram fixadas pela Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça, no
habeas corpus 598.051-SP, “de modo a evitar situações de ilicitude, que, entre
outros efeitos, poderá implicar responsabilidade administrativa, civil e/ou
penal do agente estatal”
“É recomendado o prazo de um ano para o cumprimento. Além do
aparelhamento, é solicitada a realização de treinamento dos agentes e demais
providências necessárias para que seja dado cumprimento às diretrizes definidas
na referida decisão”, afirma a DPE-GO, em nota.
A SSP-GO não se manifesta sobre mortes em intervenções
policiais. Os únicos dados divulgados são os que constam no anuário, repassados
pela própria pasta. A atual gestão do governo é a que tem registrado os números
mais altos deste tipo de ocorrência. De 2018 para 2019, o aumento verificado
foi de 26%.
O núcleo de Direitos Humanos do órgão lembra que é
fundamental “a garantia da voluntariedade do consentimento do morador (ausência
de qualquer tipo de constrangimento ou coação) para o ingresso e realização de
busca de agentes estatais em sua casa, com a gravação em áudio e vídeo da
totalidade da ação policial, a declaração assinada pela pessoa que autorizou o
ingresso domiciliar e a indicação de testemunhas da referida ação policial”.
Procurada pelo repórter Marcio Leijoto, a assessoria de
imprensa da SSP-GO pediu para que fosse procurada a assessoria da Polícia
Civil, apesar de a recomendação se referir a ações das forças policiais como um
todo e apontar estar tratando mais de operações da Polícia Militar. A Polícia
Civil, por sua vez, primeiro recomendou que fosse procurada a assessoria da
SSP-GO, mas depois mandou nota informando apenas que não recebeu a recomendação
“até o momento”. “Ao receber, será encaminhada à assessoria setorial da SSP”. A
assessoria da PM não se manifestou.
Polícia Militar Violência Policial Câmeras PM-GO Anuário de Segurança Pública Fórum Brasileiro de Segurança Pública