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Reprodução/FacebookNo dia 21 de janeiro, Assis fez uma transmissão ao vivo nas redes sociais pedindo desculpas por ter, no dia anterior, priorizado a esposa na vacinação contra a Covid-19
Ex-secretário de Saúde que furou a fila para vacinar a esposa reverte pena na Justiça
18/07/2021, às 01:00 · Por Eduardo Horacio
O ex-secretário de Saúde de Pires do Rio Assis Silva Filho, que usou a influência do cargo para se vacinar contra a Covid-19 e ordenar a vacinação da própria esposa, a quem se refere como "a mulher da vida dele", conseguiu reverter a pena de prestação de serviços comunitários na Justiça.
O Ministério Público de Goiás havia feito um acordo com o ex-secretário para evitar que a investigação se tornasse um processo na Justiça. Ficou acordado para que ele pagasse R$ 50 mil de multa e prestasse 100h serviços comunitários no hospital da cidade. Conforme a Justiça, o valor em dinheiro foi pago em três parcelas e destinado às ações de prevenção e combate à pandemia no município.
No entanto, o ex-secretário entrou na Justiça pedindo a suspensão da realização do serviço comunitário, que foi acatado pelo juiz José dos Reis, sob alegação de que um decreto judiciário prevê a interrupção temporária da pena e por conta do cenário de pandemia. Segundo o Ministério Público, Assis Filho chegou a cumprir 30 horas de trabalho voluntário. O órgão entrou com um pedido de recurso para tentar reverter a decisão judicial no dia 12 de julho.
No dia 21 de janeiro, Assis fez uma transmissão ao vivo nas redes sociais pedindo desculpas por ter, no dia anterior, priorizado a esposa na vacinação contra a Covid-19. Segundo ele explica no vídeo, a atitude foi tomada por zelo pela mulher que o acompanha no trabalho.
O promotor de Justiça Marcelo Borges Amaral ouviu seis trabalhadores da saúde na segunda-feira, 25 de junho, que delataram que Assis Silva Filho usou o cargo de secretário de Saúde do município para mandar trabalhadores aplicarem doses em pessoas fora do grupo definido pelos Planos Nacional e Estadual de Imunização. As testemunhas afirmaram ao promotor de Justiça que se sentiram coagidas e pressionadas pelo ex-secretário a realizar as imunizações indevidas. Além dele e da mulher, outra pessoa recebeu a dose de CoronaVac, de acordo com Amaral. Ela foi imunizada na própria casa.
Assis Filho pediu exoneração do cargo, após o juiz José dos Reis Pinheiro Lemes conceder liminar a pedido do MP para afastá-lo do cargo por 60 dias.
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