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Foto: Jackson Rodrigues
A ideia de privatizar a Comurg é ventilada no Paço desde que o Republicanos passou a dar as cartas na gestão municipal, após a morte do então prefeito eleito Maguito Vilela (MDB), em 13 de janeiro
Seis capitais do Brasil não fazem a cobrança de taxa do lixo
31/07/2021, às 11:21 · Por Eduardo Horacio
A proposta de criação da Taxa de Limpeza Pública (TLP) em
Goiânia pode fazer a capital goiana deixar de ser uma das sete do Brasil que
não faz a cobrança da mesma. Atualmente, 20 capitais, incluindo Brasília, fazem
a arrecadação específica para a coleta de lixo. Entre as cidades que fazem a
cobrança, 11 aprovaram a taxa no século passado. As leis que já determinam o
recolhimento associaram o valor ao Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU)
até 2018, sendo dissociado só após determinação do Supremo Tribunal Federal
(STF).
A capital com cobrança mais antiga é Curitiba, que sancionou
a lei em 1956. Assim como na maioria dos municípios, a proposta apresentada
pelo prefeito Rogério Cruz (Republicanos) no dia 14 de julho prevê que a
cobrança seria feita junto do IPTU, como uma taxa dissociada.
A Prefeitura de Goiânia ainda prevê que a taxa de lixo
represente acréscimo na receita do município, já com o estabelecimento de
comissão indicada para calcular qual será o valor. Se o prefeito de Goiânia
Rogério Cruz quer de fato compensar a criação da Taxa de Coleta do Lixo (TCL)
na Capital com a diminuição da tarifa de IPTU, seria mais fácil então deixar
como está. Porém, fica evidente que a iniciativa visa deixar o setor mais
atrativo à iniciativa privada para colocar em prática a privatização (ou
extinção) da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg).
A ideia de privatizar a Comurg é ventilada no Paço desde que
o Republicanos passou a dar as cartas na gestão municipal, após a morte do
então prefeito eleito Maguito Vilela (MDB), em 13 de janeiro. Indicado
pela cúpula do partido, o engenheiro Alex Gama de Santana já havia ocupado
cargos públicos em Alagoas e chegou a Goiânia sob desconfiança.
Além de Alex Gama, os secretários de Governo, Arthur
Bernardes; de Finanças, Geraldo Lourenço; e o presidente do Republicanos no
Distrito Federal, Wanderley Tavares, simpatizam com o modelo de terceirização
de toda a varrição e da coleta do lixo. Mesmo sem cargo no Paço, Wanderley é
considerado o homem forte da atual gestão.
Modelo
No Rio de Janeiro, mesmo com o então prefeito Marcelo Crivella (2017 –
2020) já mergulhado em crises e muito desgastado, a cúpula de seu partido
tentou mudar as regras de cobrança da Taxa de Coleta de Lixo para ampliar a
base de contribuintes. Uma das ideias era exatamente indexar à taxa do lixo
para, em tese, diminuir a inadimplência. Em Goiânia, a previsão inicial é
arrecadar R$ 160 milhões por ano.
Não é a primeira vez que a privatização da Comurg é
ventilada. Na eleição de 2016 o então candidato Vanderlan Cardoso (à
época, no PSB) sofreu desgaste ao ser atrelado à ideia. Iris Rezende (MDB)
sempre foi contra e nos últimos quatro anos saneou a Companhia e mostrou que é
viável a manutenção dos serviços de forma direta e, sobretudo, dos empregos
gerados pela empresa pública.
Em declaração ao Popular, o promotor de Justiça
Fernando Krebs afirmou que a iniciativa causaria um problema social em Goiânia,
com o desemprego dos servidores. O promotor avalia que não existe necessidade
de a Prefeitura de Goiânia criar a taxa de lixo e onerar ainda mais o
contribuinte.
Os esforços, segundo Krebs, poderiam ser concentrados, por
outro lado, na entrega do aterro sanitário para a iniciativa privada, mediante
licitação. O promotor cita como exemplo o processo realizado em São Paulo.
“Existe solução barata para este problema. E ainda há ganhos ambientais”,
argumenta.
Além da população ficar à mercê de instabilidades da ordem
de pagamentos e interrupções no serviço de coleta do lixo, os servidores passam
a ser contratados de forma precária, com salários baixos para garantir a
lucratividade do negócio.
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