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Foto: Divulgação
Foto da cadeira vazia do governador, divulgada pelo próprio governador: atirar no próprio pé virou o esporte favorito de Caiado
Divulgação de foto da cadeira vazia de Caiado é mensagem errada na hora errada
30/05/2019, às 00:50 · Por Eduardo Horacio
O próprio governador Ronaldo Caiado (DEM) divulgou ontem, 29
de maio, nas redes sociais uma foto da cadeira vazia de governador. Trata-se de
erro de comunicação grave por parte de Caiado e sua equipe: a divulgação da
foto vazia da cadeira do governador num momento em que os goianos sentem a "ausência do Estado em tudo" só reforça... a ausência do governador.
Caiado já é criticado por se ausentar demais de Goiás: só
nesses cinco meses de mandato, foi a Brasília mais de 60 vezes, fora algumas
viagens desnecessárias a outros Estados. Caiado também é criticado por não ter
cumprido a ordem cronológica de pagamento de salários, pulando o mês de
dezembro (até hoje não integralmente pago). Igualmente seu governo é atacado
por ter abandonado as rodovias estaduais à própria sorte, sem manutenção
alguma. Fora os casos graves envolvendo fechamento de dezenas de escolas e até
(possivelmente) o Hospital Materno Infantil e coisas mais triviais, como a desorganização do calendário dos festivais de cultura do Estado, como o Fica.
Enfim, a sensação que o goiano tem nesses cinco meses de
mandato é que Goiás não tem governo. Curiosamente, o próprio Caiado e seus
auxiliares têm repetido aos quatro ventos, em discursos monótonos, que “Goiás agora tem governo”, para
ver se cola (não custa lembrar: “Goiás agora tem governo” foi o slogan
do governo Marconi em 1999 e 2000, até ser abandonado pela arrogância que o
termo embute).
Personalismo
Para piorar, no texto que acompanha a foto nas redes sociais, Caiado voltou a posar de "bonitão" reforçando que sua
imagem não estampará mais as paredes das repartições públicas e, sim, a foto da
bandeira do Estado. Caiado, no mesmo texto, volta a dizer que “tomamos a
decisão acertada, (sic) de não usarmos foto oficial minha para colocar nas paredes
de lugares públicos”.
De novo, o texto de Caiado esconde a informação correta: a
decisão de não colocar foto do governador nas paredes atende a uma ordem
judicial, mais especificamente uma decisão do Tribunal de Justiça. Tentar
capitalizar para si uma decisão judicial já mostra o quanto Caiado vai na
direção oposta do que prega, eliminando a transparência do ato e diminuindo a impessoalidade do gesto.
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