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Presidente da Companhia diz que gestão busca novas fontes de arrecadação
Com o objetivo de privatizar o lixo, Prefeitura de Goiânia começa a falar mal da própria Comurg
25/08/2021, às 08:25 · Por Redação
Seguindo a velha fórmula de preparar o terreno para privatizar, o atual presidente da Companhia Municipal de Urbanização de Goiânia (Comurg), Alex Gama, diz que os problemas financeiros da empresa ainda são desconhecidos até pela própria direção, que há anos não é feito um balanço contábil fiel dos dados e que vai insistir na contratação de assessorias para serviços que auxiliem a mapear a real situação da companhia.
Criada há 46 anos, com mais de 5,1 mil funcionários e receita que gira em torno de R$ 500 milhões anuais, a Comurg é responsável, na capital, por serviços de limpeza urbana e coleta de lixo, entre outros.
O balanço patrimonial do ano passado da Comurg, divulgado no Diário Oficial do Estado (DOE) na edição de 6 de agosto, mostra um déficit de R$ 509 milhões entre ativos e passivos, cerca de R$ 140,7 milhões a mais do que o do ano anterior. Mas, segundo Gama, isso não quer dizer que houve um prejuízo neste valor nas contas da companhia em 2020, mas que o setor contábil fez reajustes na elaboração do documento em relação ao que se tinha até então.
“Não foi feito um balanço contábil dentro das normas brasileiras de contabilidade nos últimos dez anos. O balanço contábil (de 2020) foi melhorado e foi mostrada a realidade, mas ainda não é a realidade, porque muita coisa ainda não aparece no balanço”, comentou Gama ao jornalista Marcio Leijoto de Popular.
Recentemente, a companhia contratou com dispensa de licitação por R$ 720 mil um escritório de contabilidade para assessorar neste levantamento. O contrato vai durar um ano e chamou a atenção do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) e do Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO) por ser para algo que, suspeita-se, os próprios servidores públicos poderiam fazer.“
Nós temos patrimônios e débitos que não constam em nosso balanço. Houve uma negligência contábil e aí não estamos falando de maldade, mas de um erro técnico, que uma contabilidade séria não deveria deixar passar. E não tem a ver com a contratação de um escritório de assessoria, mas com a contabilidade interna”, disse Gama, defendendo o contrato. “A gente sabe que é mais (a dívida), para isso a gente precisa fazer algumas contratações porque eu não posso contar com meu quadro.”
Para deixar a empresa interessante a investidores, deve ser criada as condições ideais para os interessados como a taxa do lixo e balanços que comprovem a real capacidade lucrativa da companhia.
Comurg Prefeitura de Goiânia Alex Gama