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Foto: Agência Senado
O jornal goiano Diário do Estado ouviu pessoas que perderam familiares para a Covid-19 sobre as declarações do senador goiano, um dos mais ferrenhos defensores do presidente da República
Familiares de vítimas da Covid-19 repudiam fala de Vanderlan sobre CPI
21/10/2021, às 17:03 · Por Eduardo Horacio
Familiares de vítimas da Covid-19 repudiaram a declaração do
senador Vanderlan Cardoso (PSD), que considerou “uma perda de tempo” os
trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada para investigar
os atos do governo federal na condução da pandemia. O relatório da CPI
denunciou 66 pessoas, incluindo o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por
11 crimes.
O jornal goiano Diário do Estado ouviu pessoas que
perderam familiares para a Covid-19 sobre as declarações do senador goiano, um
dos mais ferrenhos defensores do presidente da República. “Sinceramente, a CPI
não é uma perda de tempo, porque a vida do meu pai não era uma perda de tempo”,
reagiu Estefhanny Garcia, que perdeu o pai em março passado. Na época, apenas
pessoas com mais de 80 anos estavam sendo vacinadas, o pai tinha 62 anos.
O pai de Estefhanny foi uma entre milhares de pessoas que
poderiam ter sido salvas se a vacina tivesse chegado a tempo. O relatório
final da CPI produzido pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) destacou que o
atraso na aquisição de vacinas foi o maior crime cometido pelo governo federal
na condução da pandemia no País.
Além disso, o presidente Jair Bolsonaro estimulou o uso de
medicamentos com ineficácia comprovada, desencorajou a população a seguir as
principais regras sanitárias e ajudou a reproduzir fakenews. Porém, Vanderlan
Cardoso avalia que CPI foi apenas “palco” e “vaidade” dos senadores de oposição
ao governo e não enxerga crimes para o prosseguimento de pedido de impeachment
do presidente.
Ao jornal Diário do Estado, a professora Carla
Pires também demonstrou indignação com o desprezo do senador goiano pela doença
que matou 23 mil goianos e mais de 600 mil brasileiros. “É absurdo! As coisas
não estão tranquilas, hoje vejo os shows estão voltando, as aulas com 100% de
presença e ainda tem gente morrendo”.
Carla perdeu o avô em setembro, mesmo após ele ter tomado
duas doses da vacina. Segundo ela, foi por ouvir relatos de que a situação era
segura que o avô deixou de usar máscara e acabou se contaminando. “É ilusão o que
é passado para as pessoas mais carentes e humildes de que tudo está no
controle, tudo está seguro, que não precisa ter distanciamento social, que se
você vacinou, já pode tirar a máscara”, lamentou ela.
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