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Foto: Wesley Costa
A defesa de Orloff também alega que as provas que constam no inquérito 1.462, aberto para investigar a suspeita de propina, são ilegais
Desembargador aposentado nega pagamento de propina por parte de padre Robson de Oliveira
20/11/2021, às 15:59 · Por Redação
O desembargador aposentado Orloff Neves afirmou, por meio de
seu advogado, que nunca houve pagamento de propina por parte do padre Robson de
Oliveira Pereira, ao contrário do que diz a Polícia Federal no pedido de prisão
feito no dia 16 contra o religioso.
Segundo a defesa de Orloff, em apuração do repórter Marcio
Leijoto, de O Popular, o advogado que falou sobre a propina em conversa gravada
encontrada no celular do padre durante a Operação Vendilhões, em 2020, teria
ficado com o dinheiro obtido junto a Robson. "Quem diz isso é o próprio
advogado, que diz e prova que consumiu para si o valor exigido. A conduta é
criminosa, confessada e provada", escreveu o advogado Luís Rassi, em
nota.
A Polícia Federal pediu a prisão do padre e mais três
pessoas ligadas a ele nove meses após a conversa com o advogado Cláudio Pinho
ter sido revelada pelo Fantástico, da Rede Globo. No diálogo, Cláudio diz que
conseguiu reverter uma decisão desfavorável para o padre após se comprometer a
pagar R$ 750 mil para dois desembargadores e um juiz substituto.
A defesa de Orloff também alega que as provas que constam no
inquérito 1.462, aberto para investigar a suspeita de propina, são
ilegais. "Após o Padre Robson conseguir a declaração de ilegalidade de
toda a investigação, houve o vazamento criminoso de elementos de prova
declarados ilícitos. Interessante que esse delito jamais ensejou uma
investigação", escreveu na nota em referência ao material apreendido na
Operação Vendilhões, do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO).
"Certa ou errada, a decisão que determinou ilegal as provas deveria
ser cumprida."
Para a defesa de Orloff, não resta dúvida de que os recursos
obtidos pelo advogado do padre ficaram com o próprio advogado. "Esse
advogado recebeu o dinheiro que pediu e com ele ficou. A realidade dos fatos é
esta. Um advogado mente ao cliente, fazendo-o crer que precisa dar um dinheiro
para comprar uma decisão.
Rassi também afirma que não foi feito nada para extinguir a
"investigação ilegal", pois espera-se que ela seja concluída provando
a inocência dos magistrados. "O reconhecimento da realidade, na visão dos
magistrados, covardemente apontados como corruptos, era a melhor forma de
restaurar a credibilidade daqueles homens e daquela mulher de bem. Todos que
frequentam o Tribunal sabem de sua honestidade e seriedade."
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