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Foto: Prêmio Congresso em Foco
Ao Intercept Brasil, Delegado Waldir acusou o presidente da Câmara Arthur Lira e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, general Luiz Eduardo Ramos, de comandarem o esquema de compra de votos no Congresso Nacional
Sobre denúncia de troca de emendas por votos, Delegado Waldir diz ser especialista em produzir provas
23/11/2021, às 16:01 · Por Eduardo Horacio
O deputado federal Delegado Waldir Soares (PSL) afirma não
ter dificuldades em apresentar provas sobre as denúncias divulgadas por ele
ao Intercept Brasil, sobre promessa de emendas extras para votar no
deputado federal Arthur Lira (PP-AL) para a presidência da Câmara dos Deputados
e na aprovação da reforma da Previdência, de interesse do governo federal.
“Minha especialidade é produzir provas, esqueceram que sou
delegado”, afirmou Delegado Waldir ao ser questionado por colegas sobre provar
as acusações. O parlamentar goiano afirmou que houve oferta individual de R$ 10
milhões em emendas para a eleição da mesa diretora e de R$ 20 milhões para a
reforma da Previdência.
Ao Intercept Brasil, Delegado Waldir acusou o
presidente da Câmara Arthur Lira e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da
Presidência da República, general Luiz Eduardo Ramos, de comandarem o esquema
de compra de votos no Congresso Nacional. O deputado federal Ivan Valente
(PT-SP), em representação à Procuradoria-Geral da República (PGR), pediu
investigação das denúncias.
Ao jornal O Popular, quatro deputados federais
goianos negam ter recebido oferta de recursos em troca de votos e cobram que
Delegado Waldir apresente provas. “Não presenciei e nem ouvi absolutamente nada
disso durante a campanha a presidente da Câmara nem da PEC da Previdência. Não
conheço nenhum outro deputado que tenha dito ou mencionado que recebeu recursos
em troca de votos”, diz o deputado Lucas Vergílio, líder do Solidariedade na
Câmara.
José Nelto, que foi líder do Podemos entre 2019 e 2020,
também cobra que o colega apresente provas das denúncias. “Ele tem de provar o
que falou e mostrar quem foi comprado. Eu nunca vendi nem negociei meu voto e
nunca ouvi isso dentro da minha bancada. Quando fui líder, ninguém tratou disso
comigo. Se ele negociou, se ele se vendeu e depois se arrependeu, deve falar
por ele”, rebate o parlamentar.
Os deputados Lucas Vergílio e José Nelto pertencem a
partidos que não compõem a base do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Na
denúncia ao Intercept Brasil, Delegado Waldir afirmou que Arthur Lira
também negociou com parlamentares e bancadas de oposição.
O deputado Célio Silveira (PSDB) também criticou as
declarações do colega de bancada. “Ele não pode acusar todo mundo, generalizar
dessa forma. Que dê nome aos bois. O problema é que tem gente procurando a todo
custo relevância nas mídias sociais, com acusações falsas e buscando aparecer.
Para mim, nunca chegou isso”, confrontou o tucano, que tem votado a favor de
projetos de interesse do governo federal.
Entre parlamentares da base governista, Glaustin da Fokus
(PSC) também nega a negociação de emendas por votos. “Comigo nunca teve isso e
nem na bancada do PSC. Se dentro do PSL aconteceu, aí eu não sei. Eu desconheço
isso”, afirmou o deputado.
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