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Foto: Arquivo de Família
Conforme a denúncia, durante a abordagem o rapaz informou aos policiais que tinha leucemia e suplicou para que as agressões fossem interrompidas, o que não ocorreu
MP-GO denuncia policiais que mataram rapaz com câncer nos ossos após abordagem violenta
08/12/2021, às 16:34 · Por Eduardo Horacio
O Ministério Público de Goiás (MP-GO) denunciou os policiais
militares Wilson Luiz Pereira de Brito Júnior e Bruno Rafael da Silva pelo
homicídio de Chris Wallace da Silva. O rapaz tinha câncer nos ossos e foi
espancado por dois militares durante abordagem em 10 de novembro, no
Residencial Fidélis, em Goiânia.
De acordo com a denúncia do MP, foram usados cassetetes nas
agressões, que atingiram corpo e cabeça da vítima, ocasionando a morte por
traumatismo crânio encefálico grave. O Ministério Público manifestou-se
favoravelmente à decretação da prisão preventiva dos dois policiais militares.
De acordo com os promotores de Justiça que assinam a
denúncia, Geibson Rezende, Sebastião Marcos Martins, Felipe Oltramari, Luís Antônio
Ribeiro Júnior e Sávio Fraga e Greco, a vítima caminhava na rua com um amigo,
quando foram abordados pelos dois policiais, que solicitaram a documentação
pessoal.
Após repreendê-los por estarem na rua naquela hora da noite
(por volta de 19 horas), passaram a agredir violentamente Chris Wallace da
Silva com chutes, tapas e inúmeros golpes de cassetete. Além disso, o
empurraram contra um muro de concreto chapiscado com pedra.
Conforme a denúncia, durante a abordagem o rapaz informou
aos policiais que tinha leucemia e suplicou para que as agressões fossem
interrompidas, o que não ocorreu. Os ataques pararam somente quando Chris
Wallace da Silva conseguiu se desvencilhar e sair correndo.
Ao chegar à casa em que morava, o rapaz começou a ter crise
convulsiva e a vomitar sangue, sendo levado de ambulância para o Hospital de
Urgências de Goiânia (Hugo), onde permaneceu inconsciente até o dia 16 de
novembro, quando morreu.
Os policiais foram denunciados por homicídio qualificado por
motivo torpe, emprego de meio cruel e utilização de recurso que dificultou a
defesa da vítima (artigo 121, parágrafo 2º, incisos I, III e IV), em delito
cometido em concurso de pessoas (artigo 29) do Código Penal.
Ao se manifestarem favoravelmente à decretação da prisão
preventiva, os promotores de Justiça argumentaram a necessidade para a
aplicação da lei penal, garantia da ordem pública e conveniência da instrução
criminal, uma vez que trata-se de crime hediondo, cometido com crueldade e de
forma fria e violenta.
Os promotores também afirmaram a necessidade de se cuidar da
ordem pública e garantir a conveniência da instrução criminal, sobretudo por se
tratar de crime doloso contra a vida, com testemunha ocular que reconheceu os
denunciados como autores das agressões.
PM-GO MP-GO Ministério Público Wilson Luiz Pereira de Brito Júnior Bruno Rafael da Silva Chris Wallace da Silva