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Foto: Divulgação
Nenzão ressalta ter abertura com Ronaldo Caiado e diz que frequenta a casa do governador quase toda semana
Ex-prefeito de Campinaçu some do mapa 30 dias após declarações sobre Wilder e Caiado
10/07/2019, às 02:09 · Por Eduardo Horacio
O ex-prefeito de Campinaçu Wellington Rodrigues, conhecido
como Nenzão, foi a ausência mais notada na festa de aniversário do secretário
de Indústria, Comércio e Serviços Wilder Morais (Pros), no sábado, 30 de junho
– todos os anos o ex-senador comemora reunindo amigos, empresários e políticos
em uma propriedade rural. Nenzão desapareceu também dos eventos do governador.
Tudo por conta do vazamento de um áudio em que ele se vangloria de ter muita
influência na gestão do governador Ronaldo Caiado (DEM) e ainda confessa atos questionáveis.
Tudo gravado voluntariamente pelo próprio Nenzão.
As declarações do político, em entrevista a uma rádio
comunitária de Campinaçu no dia 11 de junho, revelam despreparo. Além de enaltecer seu poder de
articulação, que teria sido decisivo para a indicação de Lincoln Tejota (Pros)
para ocupar vaga de vice na chapa de Caiado, Nenzão fez declarações
comprometedoras. De acordo com ele, costurou acordo com o governador Ronaldo
Caiado para cobrar porcentagem sobre pessoas que prestam serviços ao Estado.
“Se eu fosse trabalhar no governo, seria um cargo de
secretário, sobraria uns R$ 14 a R$ 15 mil. Não daria conta de pagar as minhas
despesas. Então, o que eu fiz com o Ronaldo? Legalmente eu tenho porcentual
sobre algumas pessoas que prestam serviços ao governo”, detalhou Nenzão, em
referência ao suposto acordo com aval do governador. Ele afirmou ter criado
empresa e que a cobrança é legítima.
Nenzão ressaltou ainda ter abertura com Ronaldo Caiado.
Segundo ele, frequenta a casa do governador quase toda semana. “Se quiser que
eu ligue agora para o governador, se demorar mais que três chamadas para ele
atender o telefone...”, envaideceu-se.
Em outro trecho, o ex-prefeito detalhou que todos os cargos
no Estado em Campinaçu foram indicados por ele e ressalta ter portas abertas no
governo. “Não tem um secretário de governo do Ronaldo Caiado que não abre as portas
para mim. Nunca marquei audiência para falar com um secretário. Eu chego, bato
na porta ‘o Nenzão tá aí, manda entrar’”, resumiu.
Senado
As implicações da entrevista alcançam também Wilder Morais. Segundo Nenzão, o
único cargo que se propôs a ocupar, devido ao alto salário, foi de assessor do
então senador Wilder. “Trabalhei de empregado uma só vez no Senado. Por que
trabalhei lá? Por que o Wilder me usava mais para cuidar das coisas dele. O meu
salário era um dos maiores, ganhava R$ 25 mil livres por mês”, contou.
As declarações tóxicas de Nenzão não tiveram grande consequência,
até aqui. Foram abafadas. De qualquer forma, o ex-prefeito está afastado tanto
dos eventos com a presença do governador Ronaldo Caiado quanto da agenda de
Wilder Morais, pública e particular. Não se sabe, porém, se a “empresa” criada
pelo ex-prefeito segue ativa.
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