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Mudança da avenida seria uma vitória da democracia. Um pontapé para dar fim aos logradouros públicos que celebrem ditadores
Sandes explica voto contra ditador em nome de avenida em Goiânia
24/02/2022, às 16:28 · Por Redação
O experiente Sandes Júnior (PP) – ex-deputado federal e ex-líder do Paço na Câmara de Goiânia – explica o voto contra ditador em nome de avenida em Goiânia.
“Perdi duas eleições
(2004 e 2008) para Iris Rezende e teria razões para votar contra, mas Iris é a
cara de Goiânia. Me senti constrangido. Tenho certeza absoluta que 98% da
população queria que ele fosse homenageado.”
A Câmara de Vereadores de Goiânia mudou de ideia e manteve o veto do prefeito
Rogério Cruz (Republicanos), no último dia 22, e decidiu não alterar o nome da
Avenida Castelo Branco para homenagear o ex-governador e ex-prefeito Iris
Rezende, morto em novembro do ano passado. O veto foi mantido por 24 votos
a 8.
Um documento contendo 14 assinaturas dos parlamentares
solicitou a inclusão na pauta do dia da matéria, atendendo aos comerciantes da
avenida Castelo Branco, que ocuparam a galeria pela segunda vez. Eles
reivindicaram que o veto fosse mantido e assim que o nome da avenida não fosse
alterado. Houve quem gritasse das galerias do plenário que “não houve ditadura
no Brasil”.
Em 21 de dezembro de 2021 o plenário havia aprovado
substitutivo ao projeto de lei 546/2021, do vereador Clécio Alves (MDB),
alterando o nome Castelo Branco, em toda a extensão da via, para avenida Iris
Rezende Machado. Três semanas depois o prefeito mandou o veto à Casa. A
Procuradoria da Câmara fez parecer que considera o veto antijurídico e
descartou a necessidade de abaixo-assinado. A Comissão de Constituição e
Justiça (CCJ) da Câmara chegou a aprovar na quarta-feira, 16, a derrubada do
veto do prefeito.
Líder do prefeito, o vereador Anselmo Pereira (MDB) liberou
a bancada da base para votar como quisesse. O autor da proposta, Clécio
Alves, renunciou à liderança da bancada do MDB, por conta da posição de Anselmo
e do vereador Henrique Alves (a favor do veto) e chamou de "vermes"
os colegas que mudaram de posição. "A pior coisa do homem é a
covardia", afirmou.
Juarez Lopes (PDT) justificou que muitos vereadores, após as
repercussões, deram um passo atrás para atender o setor comercial. Além de
Clécio, os vereadores Marlon Teixeira (Cidadania), Mauro Rubem (PT) e Aava
Santiago (PSDB) defenderam a derrubada do veto por entenderem que o nome
Castelo Branco homenageia um integrante do governo ditatorial e portanto, não
deveria ser perpetuado na história da cidade e do país. “Ele foi da ditadura
militar que atuou cassando o mandato de muitos parlamentares com ações
antidemocráticas”, disse Aava.
Sabrina Garcez (PSD) propôs que novas obras feitas na cidade
como o Anel Viário ou um memorial a ser construído em frente ao Paço Municipal,
sejam nominados com o nome de Iris.
A mudança da avenida seria uma vitória da democracia. Assim
como outras capitais fizeram, seria um pontapé importante de Goiânia para dar
fim aos logradouros públicos que celebrem ditadores. Melhor ainda: homenagearia
alguém que lutou contra a ditadura e é reconhecidamente o construtor de pelo
menos dois terços da Goiânia que conhecemos hoje.
A Lei Orgânica de Goiânia é clara e permite a mudança de
nome de logradouros que homenageiam ditadores ou pessoas ligadas à ditadura
militar no Brasil (de 1964 a 1985). Um dos articuladores do golpe de 64, o
general Humberto de Alencar Castello Branco foi o primeiro dos cinco militares
a presidir o País naquele período e deu nome à avenida nos anos 70. Antes, o
nome era “Avenida Maranhão”.
Sandes Júnior Câmara de Vereadores de Goiânia Iris Rezende