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Escândalo revelado nesta semana no Ministério da Educação está sendo chamado de Bolsolão do MEC
Prefeito de Bonfinópolis diz que pastor pediu R$ 15 mil por ajuda no MEC
24/03/2022, às 14:25 · Por Redação
O pastor Arilton Moura, apontado como um dos líderes do gabinete paralelo do
Ministério da Educação, pediu R$ 15 mil para intermediar a transferência de
recursos da pasta para a Prefeitura de Bonfinópolis, cidade da Região
Metropolitana de Goiânia. A informação é do jornal O Popular.
O episódio foi
relatado pelo prefeito da cidade, Kelton Pinheiro (Cidadania), e, segundo ele,
ocorreu no início de 2021. O chefe do Executivo conta que recusou a proposta e
seu requerimento para a construção de uma escola no município nunca andou.
Kelton afirma que,
após conceder uma entrevista a uma emissora, um funcionário da empresa disse
que conhecia pastores que ajudavam municípios a conseguir recursos relacionados
à educação, e perguntou se o prefeito tinha interesse no contato. “A gente que
está representando município sempre tem interesse em buscar todas as novidades
para a cidade. Passei meu contato para ele”, diz.
O prefeito conta que teve breve encontro com os pastores
Arilton Moura e Gilmar Santos em Goiânia, oportunidade em que eles disseram,
segundo o prefeito, que o nome do gestor seria colocado em uma lista de visita
ao ministério. De acordo com Kelton, uma pessoa que se identificou como
funcionário do MEC entrou em contato por WhatsApp e pediu o nome e o CPF do
prefeito e de seu acompanhante na visita.
Kelton conta que, após a reunião, foi convidado para almoço no restaurante Tia
Zélia junto com um grupo de prefeitos. Durante a refeição, Arilton propôs o
pagamento de propina. “Disse que se eu quisesse o recurso para a construção de
uma escola, eu teria que dar R$ 15 mil para ele (Arilton)”, relatou. “Eu disse
que não podia, que o município não tinha como fazer esse tipo de pagamento e
que eu não iria desembolsar isso do bolso, até porque não é correto. Mesmo se
eu tivesse o recurso, eu não faria. E foi esse o contato que tive com ele”,
afirmou o prefeito.
A história é um desdobramento de uma possível existência de
um grupo de pessoas sem ligação com a administração pública e o setor de ensino
que facilita acesso ao ministro da Educação e a recursos da pasta foi divulgada
em reportagem do jornal O Estado de S.Paulo. O grupo seria liderado por Gilmar
e Arilton.
Gilmar lidera a Assembleia de Deus Ministério Cristo para
Todos, que tem sede no Jardim América, em Goiânia. O pastor também é presidente
Convenção Nacional de Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus no Brasil
(Conimadb). Arilton é assessor da instituição.
Nesta semana, a Folha de S.Paulo divulgou áudio atribuído a
Milton Ribeiro, em que o ministro afirma que atender pedidos de Gilmar foi um
pedido de Bolsonaro. O ministro divulgou nota afirmando que não houve
solicitação de favorecimento.
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