Matérias
Reprodução
Apenas uma vítima teria aplicado R$ 2 milhões no esquema e perdido quase tudo
Mais de 50 denunciam golpe milionário de apostas em Anápolis
05/04/2022, às 09:21 · Por Redação
Mais de 50 pessoas já procuraram a Polícia Civil afirmando que foram vítimas de
um golpe financeiro promovido por Henrique Saccomori Ramos, de 29 anos, morador
de Anápolis. O empresário dizia aos investidores que fazia apostas esportivas
em uma plataforma internacional com retorno financeiro semanal de 1% a 3% do
valor aplicado. A polícia estima que cerca de 2 mil pessoas foram ludibriadas
no esquema na cidade. Foram movimentados cerca de R$ 200 milhões.
Henrique aplicava o esquema ponzi nos investidores, que é uma operação
fraudulenta do tipo esquema de pirâmide. Na prática, as pessoas davam dinheiro
a ele na esperança de que o valor seria investido e renderia lucros. Apesar de
dizer que não garantia rendimentos, Henrique conseguia seduzir os investidores
afirmando que possuía um software que impediria que eles tivessem perdas
semanais superiores a 30%, mas ele não fazia as apostas e embolsava o dinheiro.
Apenas uma vítima teria aplicado R$ 2 milhões.
Henrique e a esposa, Fernanda Amatte Oliveira, de 30 anos,
foram presos preventivamente em São Paulo, antes de embarcarem em um voo para
Portugal, no último sábado, 2. A Operação Sala de Embarque, da Polícia Civil do
Estado de Goiás (PC-GO) foi realizada em colaboração com a Polícia Federal.
Fernanda segue detida em Goiânia e Henrique em Anápolis. Eles são investigados
por estelionato, lavagem de capitais e pichardismo, que é um crime contra a
economia popular.
Segundo o jornal O Popular, o esquema já funcionava havia
cerca de dois anos e oito meses. Entretanto, na última terça-feira, 29, os
investidores, que recebiam planilhas semanais com a atualização dos falsos
lucros, tiveram uma surpresa: uma perda de 99,88% do dinheiro. Eles tentaram
entrar em contato com Henrique e com outros responsáveis pela H5 Investimentos
Esportivos, mas não obtiveram resultado.
Então, algumas pessoas começaram a procurar a polícia e um inquérito foi
instaurado. “Na sexta-feira, 16 denúncias tinham sido feitas e algumas pessoas
chegaram com a informação de que ele estaria indo para fora do País. Fizemos as
diligências, expedimos os mandados de prisão e fomos para São Paulo”, diz o
delegado Jorge Bezerra, responsável pelo caso que está sendo investigado pelo
Grupo de Repressão a Crimes Patrimoniais (Gepatri).
Henrique foi preso com uma carteira de
criptomoedas. Entretanto, a polícia ainda não periciou o aparelho. Ele afirmou
que tentou fugir porque teria recebido ameaças de morte. “Isso é verdade.
Entretanto, identificamos que, ao mesmo tempo, ele tentou blindar e esconder o
máximo de patrimônio possível”, afirma. Os bens de Henrique e Fernanda já foram
bloqueados. Aparelhos celulares e computadores foram apreendidos.
Pirâmide