Matérias
Divulgação
Prefeito de Bonfinópolis, Kelton Pinheiro, revelou que o pastor Arilton Moura pediu primeiro uma contribuição para igreja com a compra de mil bíblias e depois pediu R$ 15 mil
Prefeito de Bonfinópolis confirma no Senado que pastores pediram propina para liberação de verbas do MEC
06/04/2022, às 14:51 · Por Redação
O prefeito de Bonfinópolis, Kelton Pinheiro (Cidadania), foi um dos chefes de executivo municipal convidados pela Comissão de Educação do Senado para prestar esclarecimentos sobre o chamado gabinete paralelo do Ministério da Educação (MEC). Além de Kelton, outros quatro prefeitos participaram a audiência, todos por videoconferência, depois dos gestores relatarem que pastores teriam pedido propinas para facilitarem acesso a recursos do governo federal.
Além dele, também falaram à comissão de senadores os prefeitos de Boa Esperança do Sul (SP), José Manoel de Souza (Progressistas); de Luís Domingues (MA), Gilberto Braga (PSDB); Rosário (MA), Calvet Filho (PSC); e o de Anajatuba (MA), Helder Aragão (MDB).
Aos senadores, o prefeito da cidade goiana deu detalhes sobre o pedido de propina. Segundo ele, os valores eram entre R$ 15 mil a R$ 40 mil e até mesmo houve a solicitação de compra de bíblias feita pelo pastor Arilton Moura. O prefeito disse que não concordou. Depois, ainda segundo o prefeito, Arilton ofereceu um desconto de 50% no valor da propina, por achar que ele era amigo do pastor Gilmar Santos.
“Chegou o pastor Arilton na minha mesa e me abordou assim, de maneira muito abrupta e direta, dizendo: ‘Olha, prefeito, vi aqui que seu ofício está pedindo escola mesmo, de 12 salas. Essa escola deve ser uns R$ 7 milhões de recurso para ser liberado. Mas é o seguinte: eu preciso de 15 mil na minha mão hoje”, contou o prefeito Kelton Pinheiro aos senadores.
“Você faz aqui uma transferência para minha conta, porque esse negócio que é para depois, isso não cola comigo não. Porque vocês, políticos, são um bando de malandros, que não têm palavra. Se não pegar antes, depois não pagam ninguém. É 15 mil porque você está com o pastor Gilmar, porque dos outros eu cobrei 30, 40 mil”, completou o pastor Arilton ao prefeito de Bonfinópolis.
A cidade de Bonfinópolis também não recebeu os recursos para a educação e todo esse escândalo levou à queda de Milton Ribeiro do cargo de ministro da Educação. Ainda segundo as acusações, Gilmar Santos e Arilton Moura atuavam como lobistas para facilitar o acesso de prefeitos a recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) mediante o repasse desses valores.
Os senadores também convidaram os pastores para prestar esclarecimentos à comissão, mas não tiveram retorno. O ministro interino do MEC, Victor Godoy, foi convocado para falar ao grupo, mas ainda não há data marcada.
Propina MEC Arilton Moura Gilmar Santos Milton Ribeiro Bonfinópolis Goiás