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João de Deus já tem seis condenações, sendo cinco delas por abusos durante atendimentos espirituais em Abadiânia
Mulheres que denunciaram João de Deus por crimes sexuais são ouvidas pela Justiça de Goiás
08/04/2022, às 09:51 · Por Redação
O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) ouviu, nesta quinta-feira, 7, mulheres que denunciaram crimes sexuais supostamente praticados pelo médium João Teixeira de Faria, mais conhecido como João de Deus. Segundo a assessoria do TJGO, as audiências com as vítimas foram realizadas virtualmente pela comarca de Abadiânia.
Os crimes, segundo as denúncias, teriam ocorrido durante atendimentos espirituais na Casa Dom Inácio de Loyola, na mencionada cidade. Até então, o religioso foi condenado seis vezes, sendo cinco delas por abusos sexuais contra 10 mulheres e outra por posse ilegal de arma de fogo. A condenação mais recente ocorreu no último mês de janeiro. O idoso cumpre prisão domiciliar na casa que tem em Anápolis. Ele sempre negou os crimes.
As condenações são: 19 anos e 4 meses de reclusão, em processo envolvendo quatro vítimas de crimes sexuais; a mais 40 anos de reclusão (5 vítimas); 44 anos e seis meses de reclusão (5 vítimas); a 2 anos e 6 meses de reclusão (1 vítima); 4 anos por violação sexual mediante fraude (1 vítima), além de uma condenação por crime de posse irregular de arma de fogo de uso permitido e crime de posse ilegal de arma de fogo de uso restrito, a três anos de reclusão.
O Ministério Público já fez 15 denúncias contra o médium. Ainda restam, em Juízo, 12 denúncias, que envolvem 56 mulheres. Os processos aguardam julgamento.
Denúncias
A primeira mulher a denunciar publicamente que foi sexualmente abusada por João de Deus foi Zahira Leeneke Maus, uma coreógrafa holandesa. Ela esteve no programa Conversa com Bial e contou sobre a violência sofrida enquanto esteve em Abadiânia para receber um atendimento espiritual.
Zahira disse que ouviu relatos de outras mulheres e concluiu que havia um sistema para as vítimas. "A primeira coisa é 'vire de costas, eu vou te curar'. Existe um padrão (...) Você é manipulada a acreditar na cura”, disse.
Após a entrevista da holandesa, outras mulheres começaram a denunciar que foram abusadas sexualmente por João de Deus durante atendimentos espirituais na casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia. Uma força-tarefa foi criada para investigar os crimes descritos em mais de 300 relatos recebidos.
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