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Goiânia, 04/04/25
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Em setembro de 2019 ele chegou a ser homenageado pelos ex-alunos do Colégio Estadual “Professor Pedro Gomes” pelo trabalho que realizou nos tempos em que estudou e lecionou na escola

Morre aos 81 anos em Goiânia, o professor Zélio Fraissat

11/04/2022, às 08:55 · Por Redação

O professor Zélio Fraissat, 81 anos, morreu neste último domingo, 11, vítima de trombose no fígado ocasionada por complicações da Covid-19 e seu corpo será sepultado nesta manhã, 11, no Cemitério Jardim das Palmeiras. 

Em setembro de 2019 ele foi homenageado pelos ex-alunos do Colégio Estadual “Professor Pedro Gomes” pelo trabalho que realizou nos tempos em que estudou e lecionou nessa escola. De acordo com os integrantes do grupo ‘Somos Pedro Gomes’, ele entrou em 1957 no então Ginásio Estadual de Campinas, que funcionava na Av. Minas Gerais, onde completou o curso ginasial; saiu em 1960 para servir ao Exército, no quartel de Ipameri; e retornou em 1961 para fazer o Curso Científico no ‘Professor Pedro Gomes’, que concluiu em 1963.

Em seguida passou a professor em disciplinas da área de Ciências Exatas, como Matemática, Física e Desenho, numa época em que era difícil encontrar profissionais para essas matérias. A dedicação integral e o interesse que demonstrou pela atividade logo o levaram a ser vice-diretor no período noturno, na gestão da professora Maria Conceição da Paixão (dona Zizi), por três anos, 1966-1968.

O desejo de fazer o Curso de Engenharia da Universidade Federal de Goiás, ministrado em tempo integral, foi inicialmente adiado, pois os pais eram pobres, não podiam lhe dar essa oportunidade e ele tinha que trabalhar. Começou primeiro o Curso de Filosofia da Universidade Católica de Goiás, que frequentou por apenas um ano; logo depois, fez o Cares, curso de aperfeiçoamento de pessoal do ensino superior, e em seguida a prova, com a qual conquistou o registro no Ministério da Educação e Cultura, como professor do Ensino Médio, o que lhe permitiu ingressar no magistério.

As lembranças da época eram muitas, em especial os locais mais frequentados: praça da Igreja Matriz e porta do Colégio Santa Clara, para ver as moças saindo ao final das aulas; a Papelaria Tupã, onde eram acolhidos pelo simpático Bosquinho Siqueira, irmão do Ipanema Siqueira, mais sisudo; o Cine Campinas; o Bar do Chico; e o Colégio Estadual ‘Professor Pedro Gomes’, onde passava praticamente o dia inteiro. Ía às aulas e depois jogar bola na quadra cimentada, a melhor do bairro, pois na época o jovem tinha três opções: tocar violão; participar da fanfarra do colégio; e jogar futebol. Como não tinha aptidão para a música, optou pelo esporte.

 Trajetória

Goiano de Buriti Alegre, onde nasceu no dia 27 de janeiro de 1941, Zélio mudou-se no final de 1950 para o bairro de Campinas, com a família se instalando na antiga Av. Pernambuco com a Av. Perimetral. Fez o curso primário no Grupo Escolar ‘Duque de Caxias’. A primeira série ginasial foi no Colégio Ateneu Dom Bosco; da segunda série em diante, em 1957, transferiu-se para o Ginásio Estadual de Campinas, antecessor do Colégio Estadual ‘Professor Pedro Gomes’, e em 1959 ajudou na mudança de local, carregando cadeiras e mesas para a Av. Sergipe. Lembrou ter sido uma festa quando alunos, professores e funcionários foram chamados pela diretora, professora Lígia Maria Coelho Rebelo, para levar os móveis para o novo espaço, que precisava ser ocupado, já que demorou a sair o “Habite-se”, a liberação da Prefeitura Municipal para o seu funcionamento. Ninguém se furtou em participar, tornando aquela empreitada mais alegre e tranquila.

Em 1963, logo que concluiu o Científico, começou a dar aulas no Colégio Estadual ‘Professor Pedro Gomes’ e depois no Ateneu Dom Bosco, e em 1966 assumiu a vice-diretoria do turno noturno no colégio. Em 1967, passou no vestibular para o Curso de Engenharia Elétrica na UFG, quando cumpriu a rotina de fazer os dois primeiros anos no Instituto de Matemática e Física, como era naqueles tempos; depois teve que deixar a vice-diretoria do colégio, pois entraram 12 oficiais do Exército na Engenharia Elétrica da UFG, que só podiam estudar à noite, o que levou o curso para esse horário. Por isso, passou a dar aulas no colégio no turno vespertino.

Em 1971 concluiu o Curso de Engenharia Elétrica pela UFG, ficou mais dois anos no Colégio, a partir de quando saiu para novos caminhos. Dentre as opções, ser Professor de Planejamento e Administração de Material na UCG e Instrutor de Planejamento de Material e Logística, no Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais da Polícia Militar do Estado de Goiás. Trabalhou na Telegoiás.

Zélio foi casado com Doralúcia Mendes, sua aluna no Colégio Estadual ‘Professor Pedro Gomes’, onde ela fez os cursos ginasial e Científico, depois cursou Farmácia e Bioquímica na UFG e foi sócia no Laboratório Atalaia, tendo dirigido a unidade que funcionou no Hospital Rassi. O casal tem dois filhos: Zeuner, arquiteto, com empresa de design gráfico em São Paulo; e Ludmilla, advogada, que reside em Goiânia.


Zelio Fraissat Morte Covid-19