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Senador Jorge Kajuru (Podemos) assinou requerimento para instalação de CPI do MEC
Vanderlan Cardoso e Luiz do Carmo são contra CPI do MEC
12/04/2022, às 23:58 · Por Redação
Sob pressão do governo, o requerimento para criar a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Ministério da Educação (MEC) no Senado não vai contar com o apoio de Vanderlan Cardoso (PSD) e Luiz do Carmo (PSC). Jorge Kajuru (Podemos) assinou o requerimento de abertura.
A iniciativa, no entanto, segue perdendo assinaturas. Agora,
tem o apoio de 24 senadores. São necessários 27 para dar prosseguimento à
investigação, endossada pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP); Luiz do
Carmo (PSC) e Vanderlan Cardoso (PSD) consideram a proposta eleitoreira.
Ele chegou a anunciar na sexta-feira, 8, que já havia
alcançado o número mínimo de subscrições. Porém, durante o fim de semana, a
quantidade foi reduzida em três, uma vez que os senadores Oriovisto Guimarães
(Podemos-PR), Styvenson Valentim (Podemos-AC) e Weverton Rocha (PDT-MA)
retiraram seu apoio.
Randolfe chegou a
atribuir o recuo dos três parlamentares a uma “força-tarefa” coordenada pelo
ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, a fim de barrar a comissão.
Aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL) acreditam que a CPI tem potencial
para prejudicá-lo em ano eleitoral.
Bolsonaro foi
diretamente ligado às suspeitas de corrupção no MEC em 21 de março, quando o
jornal Folha de S. Paulo revelou áudio em que o então ministro da Educação,
Milton Ribeiro, diz que sua “prioridade é atender primeiro os municípios que
mais precisam e, segundo, atender a todos os que são amigos do pastor Gilmar”.
“Foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim sobre a
questão do Gilmar”, afirma Ribeiro em outro trecho do áudio.
A referência é ao pastor Gilmar Santos, que preside igreja de denominação
evangélica com sede em Goiânia, e está no centro das denúncias que envolvem
também o pastor Arilton Moura. Apesar de não ter cargos no governo, os dois
participaram de várias reuniões com autoridades nos últimos anos e prefeitos
relatam terem recebido pedidos de propina para ajudar na liberação de recursos
do MEC. Ribeiro deixou o MEC uma semana depois da divulgação do áudio.
As pressões do governo para barrar a CPI teriam como base as
chamadas emendas de relator, conhecidas como orçamento secreto, que levam esse
nome porque é uma modalidade de emendas em que parlamentares indicam o uso de
recursos dos ministérios sem critérios claros sem divulgação de quem fez as indicações.
CPI MEC Educação Governo Federal Jair Bolsonaro