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Na mesma entrevista em que fala em respeito, o presidente do Goiás E.C. diz que eram “mulheres bonitas” com a camisa do clube. Ou seja, não vestiram o uniforme por serem torcedoras, mas simplesmente por serem bonitas
Goiás E. C. passa vergonha em torcida com vídeo machista para apresentar uniforme
24/07/2019, às 08:01 · Por Eduardo Horacio
O
Goiás Esporte Clube protagonizou polêmica nacional ao postar nas redes sociais
um vídeo com as primeiras imagens do novo uniforme do clube. O que deveria ser
uma ação positiva do marketing esmeraldino revelou-se uma peça de extremo mau
gosto com a exposição de mulheres em poses sensuais.
O
vídeo mostra duas mulheres apresentando detalhes da nova camisa do Goiás –
agora confeccionada por uma marca própria e que será lançada nesta
quarta-feira, 24. O uniforme, porém, ficou completamente em segundo plano em
imagens que revelam os lábios, cabelos e silhuetas de duas modelos.
Menos
de um mês após o fim da Copa do Mundo de Futebol feminino, o debate sobre a
participação da mulher, dentro e fora dos campos, esteve e permanece na ordem
do dia. O futebol praticado por elas ganharam mais espaço, maior audiência e,
com isso, elas reivindicaram mais investimentos e maior reconhecimento. Nas
arquibancadas, as mulheres também ocupam cada vez mais espaço nas torcidas dos
principais clubes.
Ao
renegar o valor de suas torcedoras reduzindo-as a um ensaio sensual com a
camisa do clube, o Goiás deu passos na contramão do atual empoderamento das
mulheres – por isso a enorme repercussão negativa. Ações como a adotada pelo
Goiás reforçam o machismo ao qual as mulheres sempre foram vítimas ao
frequentar estádios e campos de futebol.
Se
a ideia do Goiás E.C era valorizar suas torcedoras, poderia bolar uma campanha
publicitária para promover o time de futebol feminino, pouco conhecido dos
torcedores e torcedoras. Ou ainda um filme que representasse de fato a dimensão
de sua torcida feminina. Que valorize a paixão delas, e não que as vejam apenas
como objetos sexuais.
Por
fim, uma entidade que mobiliza milhares de pessoas (mulheres de todas as cores,
de todos os credos, de todas as classes), movidas apenas pela paixão, tem a
responsabilidade de se posicionar de forma a contemplar essa coletividade, e
não agir de forma preconceituosa, ultrapassada e pouco inteligente.
Reação
Se criou polêmica e foi muito criticada
pela produção de um vídeo que mais parecia um ensaio de cunho sexual do que a
apresentação de um uniforme, a direção do Goiás Esporte Clube não se deu por
vencida. Em entrevistas, o presidente do clube, Marcelo Almeida, afirmou que as
críticas sofridas eram “maldade” e “falso puritanismo”.
“O
vídeo mostra nossa camisa sendo vestida por duas mulheres bonitas, não tem nada
de sexismo ou machismo. Mulher merece respeito, e sabemos disso. Foi muita
maldade, inveja por parte das pessoas”, rebateu o presidente do Goiás.
O
discurso do presidente do Goiás reforça que o vídeo não é mera atitude isolada.
Na mesma entrevista em que fala em respeito, Marcelo diz que eram “mulheres
bonitas” com a camisa do clube. Ou seja, não vestiram o uniforme por serem
torcedoras, mas simplesmente por serem bonitas.
Ao
comentar o vídeo produzido pelo Goiás no Twitter, a apresentadora dos canais
ESPN Marcela Rafael deu ao clube goiano um rápido e pertinente conselho: “Vocês
podem mais do que isso... Melhorem!”
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