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Goiânia, 04/04/25
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Geacri já identificou que o motorista praticou os crimes de homofobia e injúria

Mulher relata crime de transfobia por motorista de app, em Goiânia

03/05/2022, às 19:04 · Por Redação

A acadêmica de Direito Rayanne Eduarda, de 34 anos, relata ter sido vítima de transfobia dentro de um veículo de transporte por aplicativo. O caso é acompanhado pelo Núcleo Especializado de Direitos Humanos (NUDH) da Defensoria Pública Estadual (DPE) de Goiás, onde Rayanne é estagiária.

O caso aconteceu na última quarta-feira, 27 de abril, quando Rayanne, que é uma mulher trans, chamou um motorista por aplicativo da operadora inDriver para ir à faculdade, no Setor Rodoviário, em Goiânia, onde ela cursa o quarto período de Direito.

Segundo reportagem do jornal O Popular, quando o veículo se aproximou do prédio, o suposto agressor não quis parar no local indicado “ e, de repente, ele puxou o freio de mão, parou o carro no meio da Avenida Anhanguera, olhou para trás e gritou: “Qual é o seu problema?’’ ”

De acordo com a estudante, o motorista teve uma reação inesperada. “De repente começou gritar: ‘Você é muito chata, sua imunda, nojenta, seu traveco, sua raça é imunda. Ninguém em Goiânia quer andar com vocês.’”. Foi nesse momento que ela percebeu que se tratava de um ataque de transfobia.

 Rayanne conta que teve medo de reagir porque o motorista fez menção de pegar algo embaixo do banco e chegou a sair do veículo. “Eu me senti ameaçada. O tempo todo eu pedia para ele destravar o carro. Eu só queria sair do domínio dele porque estava presa. Se eu fizesse alguma coisa com ele, seria a agressora porque este é o papel que a sociedade sempre nos coloca.”

Depois de voltar para a direção do veículo, o motorista ainda gritando com Rayanne se aproximou do portão da faculdade. Foi aí que ela começou a gritar, pedindo ajuda e recebeu o apoio de colegas. “Eles perceberam que tinha algo errado e gritaram para pessoas que estavam próximas anotarem a placa do carro.

Foi quando ele destravou a porta e eu me joguei para fora. Ele acelerou e foi embora. Ainda assustada com a situação, Rayanne reportou o fato à empresa operadora de transporte por aplicativo e denunciou o caso à Polícia Civil.

Há cerca de dois meses Rayanne, que é estudante bolsista e faz palhas italianas para ajudar no orçamento doméstico, integra a equipe do NUDH. Ela passou no primeiro processo seletivo realizado pela DPE para selecionar estagiários do público LGBTQIA+. “Ela vem desempenhando muito bem o seu papel”, afirma o defensor público Marco Túlio Félix Rosa.

 “Para nós é muito triste uma situação dessas e vamos lutar para mostrar que essas pessoas que agridem não ficam impunes.” O defensor explica que a agressão à Rayanne está sob investigação do Grupo Especializado no Atendimento às Vítimas de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Geacri).

Preliminarmente, o Geacri já identificou que o motorista praticou os crimes de homofobia e injúria. O grupo foi criado em agosto do ano passado para investigar, em âmbito estadual, os crimes de racismo, injúria racial, intolerância religiosa, crimes de caráter homofóbico e outros praticados contra os grupos de vulneráveis.


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