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Geacri já identificou que o motorista praticou os crimes de homofobia e injúria
Mulher relata crime de transfobia por motorista de app, em Goiânia
03/05/2022, às 19:04 · Por Redação
A acadêmica de Direito Rayanne Eduarda, de 34 anos, relata ter sido vítima de transfobia
dentro de um veículo de transporte por aplicativo. O caso é acompanhado pelo
Núcleo Especializado de Direitos Humanos (NUDH) da Defensoria Pública Estadual
(DPE) de Goiás, onde Rayanne é estagiária.
O caso aconteceu na última quarta-feira, 27 de abril, quando Rayanne, que é uma
mulher trans, chamou um motorista por aplicativo da operadora inDriver para ir
à faculdade, no Setor Rodoviário, em Goiânia, onde ela cursa o quarto período
de Direito.
Segundo reportagem do jornal O Popular, quando o veículo se
aproximou do prédio, o suposto agressor não quis parar no local indicado “ e,
de repente, ele puxou o freio de mão, parou o carro no meio da Avenida
Anhanguera, olhou para trás e gritou: “Qual é o seu problema?’’ ”
De acordo com a estudante, o motorista teve uma reação inesperada. “De repente
começou gritar: ‘Você é muito chata, sua imunda, nojenta, seu traveco, sua raça
é imunda. Ninguém em Goiânia quer andar com vocês.’”. Foi nesse momento que ela
percebeu que se tratava de um ataque de transfobia.
Rayanne conta que
teve medo de reagir porque o motorista fez menção de pegar algo embaixo do
banco e chegou a sair do veículo. “Eu me senti ameaçada. O tempo todo eu pedia
para ele destravar o carro. Eu só queria sair do domínio dele porque estava
presa. Se eu fizesse alguma coisa com ele, seria a agressora porque este é o
papel que a sociedade sempre nos coloca.”
Depois de voltar para a direção do veículo, o motorista
ainda gritando com Rayanne se aproximou do portão da faculdade. Foi aí que ela
começou a gritar, pedindo ajuda e recebeu o apoio de colegas. “Eles perceberam
que tinha algo errado e gritaram para pessoas que estavam próximas anotarem a
placa do carro.
Foi quando ele destravou a porta e eu me joguei para fora.
Ele acelerou e foi embora. Ainda assustada com a situação, Rayanne reportou o
fato à empresa operadora de transporte por aplicativo e denunciou o caso à
Polícia Civil.
Há cerca de dois meses Rayanne, que é estudante bolsista e faz palhas italianas
para ajudar no orçamento doméstico, integra a equipe do NUDH. Ela passou no
primeiro processo seletivo realizado pela DPE para selecionar estagiários do
público LGBTQIA+. “Ela vem desempenhando muito bem o seu papel”, afirma o
defensor público Marco Túlio Félix Rosa.
“Para nós é muito
triste uma situação dessas e vamos lutar para mostrar que essas pessoas que
agridem não ficam impunes.” O defensor explica que a agressão à Rayanne está
sob investigação do Grupo Especializado no Atendimento às Vítimas de Crimes
Raciais e Delitos de Intolerância (Geacri).
Preliminarmente, o Geacri já identificou que o
motorista praticou os crimes de homofobia e injúria. O grupo foi criado em
agosto do ano passado para investigar, em âmbito estadual, os crimes de
racismo, injúria racial, intolerância religiosa, crimes de caráter homofóbico e
outros praticados contra os grupos de vulneráveis.
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