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Jogador foi ao GEACRI prestar depoimento ao delegado titular do GEACRI, Joaquim Adorno,
Polícia Civil abre inquérito para apurar injúria racial contra volante do Goiás
10/05/2022, às 08:52 · Por Redação
A Polícia Civil abriu inquérito nesta segunda-feira, 9, para apurar denúncia de
injúria racial sofrida pelo volante do Goiás Fellipe Bastos, do Goiás, logo
após o jogo do Atlético-GO no Estádio Antônio Accioly no último domingo, 8.
O jogador foi ao Grupo Especializado no Atendimento às
Vítimas de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (GEACRI), prestar
depoimento ao delegado titular do GEACRI, Joaquim Adorno, o que durou
aproximadamente 40 minutos. O jogador do Goiás relatou os fatos ocorridos no
Estádio Antônio Accioly, logo após a partida contra o Atlético-GO, e cobra
punição.
“As pessoas têm de
tomar essa atitude que tomei hoje, que é a de denunciar. É muito importante.
Como falou o delegado, não fui só eu que fui atingido, mas todas as pessoas que
passam por isso todos os dias e não têm uma voz, não têm uma entrevista para
dar. Temos de denunciar, sim, e buscar achar os culpados para que haja punição.
O importante não é só descobrir quem fez o racismo, mas punir com uma lei mais
severa para que a gente tenha mais respeito com a nossa cor”, disse Fellipe
Bastos.
O delegado Joaquim Adorno explicou que, após a denúncia de Fellipe Bastos, o
inquérito policial está instaurado e que vai solicitar as imagens para todos os
produtores de conteúdo que gravaram a partida, com imagens do período em que
houve a agressão e imagens do setor em que o denunciado estava. “Após a
identificação, ele vai ser indiciado e responder a processo pelo artigo 140
(injúria racial) e parágrafo terceiro do Código Penal. Inicialmente, a pena é
de um a três anos de reclusão. É um crime inafiançável, imprescritível porque é
racismo”, explicou Joaquim Adorno.
Além das imagens das emissoras de televisão, o delegado vai pedir imagens de
monitoramento do estádio ao Atlético-GO e ouvir testemunhas que presenciaram o
ato de injúria racial denunciado por Fellipe Bastos. “Todas as possibilidades
serão esgotadas. Vamos verificar todas as emissoras e produtoras que estavam
filmando, verificar com o proprietário do local e vamos atrás de todas as
imagens para identificar o autor, inclusive pessoas que estavam ao lado do
jogador que ouviram e viram”, destacou Joaquim Adorno, que apontou que não é
essencial registro do momento da agressão.
De acordo com Adorno, desde que foi criado, em agosto de 2021, o GEACRI recebeu
mais de 170 denúncias de casos de racismo, o que dá uma média de mais de 20
casos por mês. “Hoje, chegamos a um absurdo de ter essa média de 20 casos por
mês. Então, isso tem crescido. As vítimas têm feito o papel delas e vindo
denunciar. É preciso denunciar para combater o racismo e a intolerância todos
os dias”, destacou o delegado titular do GEACRI.
Ao jornal O Popular, o volante também relatou momentos difícieis após o jogo. “Foi uma noite atípica porque foi a primeira vez que passei por isso. Quando cheguei em casa, meus filhos, Giovanna (10) e Matheus (9), me perguntaram o que aconteceu, eles viram e entendem. Tive de explicar para eles."
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